Da prevenção ao tratamento, estomaterapeuta destaca importância da informação e do acompanhamento especializado
Pacientes acamados ou com mobilidade reduzida estão mais vulneráveis ao desenvolvimento de feridas por pressão, conhecidas popularmente como escaras. O alerta foi feito pela estomaterapeuta Áquilla Chahinne, durante entrevista, ao destacar que a falta de prevenção e orientação ainda é um dos principais fatores para o agravamento desses casos.
Segundo a especialista, o problema é mais comum do que se imagina e está diretamente ligado ao tempo prolongado na mesma posição.
“A principal causa de surgir esse tipo de ferida é muito tempo na mesma posição. O paciente acamado que passa o dia todo sem mudar de posição acaba sofrendo uma pressão contínua, o que reduz a oxigenação do tecido e pode gerar a lesão”, explicou.
Áquilla chama atenção para o envelhecimento da população como um fator que contribui para o aumento dos casos. De acordo com ela, a pele do idoso é naturalmente mais sensível.
“O idoso tem a pele mais frágil, com menos colágeno, menos elastina e menos massa muscular. Tudo isso está relacionado ao risco de desenvolver lesões”, afirmou.
As regiões mais afetadas costumam ser áreas de maior pressão, como a região sacral (final da coluna), calcanhares e quadris.
A identificação precoce é fundamental para evitar a evolução do quadro. A especialista orienta que familiares e cuidadores fiquem atentos a alterações na pele.
“Se ao retirar o paciente da posição surgir uma vermelhidão que não desaparece ao pressionar, isso já pode ser uma lesão por pressão em estágio inicial”, alertou.
Ela reforça que esse é um dos primeiros sinais de que algo não vai bem e que exige intervenção imediata.
A estomaterapeuta destacou medidas simples que podem ser adotadas em casa para evitar o surgimento das feridas.
“É importante manter o paciente bem alimentado, hidratado, trocar fraldas sempre que estiverem úmidas e fazer a mudança de posição a cada duas horas, inclusive durante a noite”, orientou.
A especialista relatou ainda um caso recente que evidencia a gravidade da situação quando não há prevenção adequada.
“Recebemos uma paciente de 90 anos que ficou 30 dias internada e chegou com uma lesão por pressão em estágio quatro, já com o osso exposto. É uma situação muito triste e que se repete com frequência”, lamentou.
Quando a ferida já está instalada, o acompanhamento especializado se torna indispensável. Segundo Áquilla, quanto mais cedo o paciente procurar ajuda, maiores são as chances de recuperação.
“O ideal seria que o atendimento acontecesse antes mesmo da lesão surgir, com orientações preventivas. Mas, quando já existe a ferida, o momento de procurar ajuda é imediato. Quanto mais demora, mais complexa fica a lesão”, destacou.
Ela também explicou que feridas que não cicatrizam após duas a quatro semanas já são consideradas complexas.
“Por trás de uma ferida difícil de cicatrizar, geralmente existe algum problema de saúde que precisa ser tratado junto”, completou.
A profissional destacou o trabalho da clínica Doutor Curativos, que oferece atendimento tanto na unidade quanto em domicílio, facilitando o acesso de pacientes com dificuldade de locomoção.
“Temos uma equipe multiprofissional, com nutricionista e estomaterapeuta, preparada para oferecer o que há de mais avançado no tratamento de feridas”, afirmou.