A campanha destaca que informação, diagnóstico precoce e mudanças no estilo de vida são aliados importantes na prevenção e no controle da dor crônica
A campanha Fevereiro Roxo, dedicada à conscientização sobre doenças crônicas como fibromialgia lúpus e alzheimer, reforça um alerta importante: sentir dor todos os dias não é normal. O médico neurocirurgião Silverio Calaça chama atenção para a banalização da dor e destaca a necessidade de diagnóstico adequado.
“Nós vivemos um momento em que as pessoas acham que sentir dor todos os dias é normal. Ou seja, a gente começou a normalizar a dor e dor não é normal”, enfatiza o especialista.
Segundo ele, o primeiro passo não é apenas aliviar o sintoma, mas investigar sua origem.
“Não adianta tratar a dor, eu preciso saber a causa. Investigar a causa e tratar a causa para resolver. A pessoa diz: ‘Ah, eu tenho minha dorzinha aqui há muitos anos’. Isso não é normal, a gente não pode normalizar isso”, reforça.
De acordo com Dr. Silverio, a dor é considerada crônica quando persiste por mais de três meses.
“A partir do momento que eu tenho uma dor que passou dos três meses, aquela dor já é considerada dor crônica”, explica.
Ele também alerta para sinais que exigem atenção imediata, como perda de peso sem causa aparente, febre, dor que acorda o paciente durante a noite, crises convulsivas, dor de cabeça recente com piora progressiva ou presença de déficit neurológico.
“Quando essa dor vem acompanhada desses sinais, é fundamental procurar atendimento. Sentir dor não é normal. Dor tem tratamento”, ressalta.
Na prática clínica, o neurocirurgião afirma que a dor na coluna é a que mais aparece nos consultórios e cada vez mais entre pacientes jovens.
“A principal dor que eu atendo é dor na coluna. E você sabe por quê? Sedentarismo e postura inadequada”, afirma.
Ele destaca que o uso excessivo de celulares e computadores tem contribuído significativamente para problemas na coluna cervical.
“Vivemos na era digital. A gente adota postura incorreta para ficar olhando para o smartphone ou para o computador. Isso sobrecarrega principalmente a coluna cervical”, explica.
Outro fator determinante é a falta de fortalecimento muscular. “O que sustenta a nossa coluna é a musculatura. Se eu não faço atividade física, vou ter uma musculatura saudável para sustentar minha coluna no lugar?”, questiona.
A fragilidade muscular pode levar a alterações degenerativas como osteófitos (popularmente conhecidos como “bico de papagaio”), hérnia de disco, estenose do canal vertebral, escoliose e outras deformidades que perpetuam a dor.
O especialista destaca que o tratamento da dor crônica não deve ser baseado exclusivamente em medicamentos. “Tratamento não é só medicação. Acho que a medicação fica lá em último lugar”, afirma.
Segundo ele, mudanças no estilo de vida são fundamentais no processo terapêutico.
“A primeira coisa que eu preciso é realizar atividade física, que é fundamental. Faz parte do tratamento. Fisioterapia também é essencial”, orienta.
A alimentação também desempenha papel importante, já que alguns alimentos têm potencial inflamatório. O médico defende uma reeducação alimentar, acompanhada por profissional qualificado.
“Não é fazer dieta por 20 dias. Dieta é passageira. O que a gente precisa é reeducação alimentar, com orientação de um nutricionista”, explica.
Embora a medicação tenha seu papel, ela não deve ser a única estratégia. “Claro que a medicação tem sua importância, mas ela nem sempre resolve sozinha”, pontua.
A principal mensagem reforçada durante o Fevereiro Roxo é clara: não ignore os sinais do corpo.
“Não normalize sua dor. Começou a sentir dor, procure um médico de sua confiança. E se não tiver, procure um profissional capacitado”, orienta Silverio Calaça, citando como referências o neurocirurgião e o ortopedista.
*Com informações da repórter Isabel Bomfim