Sua trajetória permanece como símbolo de credibilidade, paixão pelo rádio e amor à comunicação.
A morte do radialista Itajay Pedra Branca, ocorrida na manhã desta quarta-feira (7), segue gerando forte comoção em Feira de Santana e em toda a Bahia. Em entrevista ao Jornal do Meio Dia, o jornalista e professor universitário Andrews Pedra Branca, um dos filhos do comunicador, relembrou a trajetória do pai e destacou o legado deixado por uma das maiores vozes do rádio brasileiro.
Andrews agradeceu as manifestações de solidariedade recebidas pela família.
“Primeiro, agradecer à Fundação Santo Antônio, ao Frei Cristóvão e a todas as pessoas que, de alguma forma, estão se solidarizando com o falecimento de Itajay Pedra Branca”, afirmou.
Segundo Andrews, Itajay Pedra Branca faleceu às 12h05, em um hospital particular de Feira de Santana. O velório será realizado na capela do Cemitério Jardim Celestial a partir das 17h30 e amanhã (08) o enterro acontece no mesmo cemitério às 10h.
Ao falar da trajetória profissional do pai, Andrews destacou que Itajay iniciou no rádio ainda criança, aos oito anos de idade.
“Meu pai começa sua trajetória profissional aos oito anos, na Rádio Cultura, como cantor mirim”, contou.
A ligação familiar com a comunicação também foi determinante nesse início.
“Meu avô já atuava na emissora, assim como meu tio que foi locutor e apresentador de programas de auditório”, lembrou.
Foi na Rádio Sociedade de Feira de Santana, hoje Sociedade News FM, que Itajay Pedra Branca consolidou sua carreira e alcançou projeção nacional e internacional.
“No final da década de 70, meu pai levou a rádio à sua primeira transmissão internacional, diretamente do Estádio de Wembley, na Inglaterra. E, como ele costumava dizer em entrevistas, ‘nunca mais parou’”, relatou Andrews.
Com a Rádio Sociedade, Itajay cobriu oito Copas do Mundo, quatro Olimpíadas, Copas América, eliminatórias e grandes eventos esportivos.
Um dos episódios mais marcantes relembrados pelo filho foi a cobertura do atentado ao Papa João Paulo II, em 1981.
“Ele estava na Europa acompanhando a Seleção Brasileira quando decidiu ir a Roma. Ao ouvir o estampido, desceu do táxi e, com o faro jornalístico, se deslocou imediatamente para a Praça de São Pedro”, narrou.
Mesmo sem os recursos tecnológicos atuais, Itajay conseguiu comunicar o fato em tempo real.
“Ele fez a conexão com a Rádio Sociedade e foi o primeiro repórter a informar para a América do Sul o atentado contra o Papa João Paulo II”, destacou Andrews.
Além do narrador consagrado, Andrews fez questão de enfatizar o lado humano do pai.
“Itajay era uma pessoa simples, humilde, honesta, extremamente trabalhadora e muito séria. Ele deixou um legado de seriedade para a família e para todos que conviveram com ele”, afirmou.
A rotina intensa de viagens marcou a infância dos filhos.
“Muitas vezes eu não tinha meu pai aos domingos, porque ele estava transmitindo futebol pelo Brasil ou fora do país, mas acompanhar tudo isso foi uma verdadeira aula de comunicação”, disse.
Itajay Pedra Branca também deixou sua marca no serviço público e na comunicação institucional.
“Ele foi fundador da antiga Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Feira de Santana, a convite do prefeito José Falcão da Silva, atuando como repórter, redator, noticiarista e mestre de cerimônias”, lembrou Andrews.
Por mais de 40 anos, foi a voz oficial dos desfiles cívicos de 7 de Setembro, narrando a passagem de estudantes, fanfarras, instituições e autoridades.
O filho reforça que o legado permanece vivo.
“Acompanhar meu pai foi uma aula ao longo da vida. Para quem ama comunicação, foi algo extraordinário”, concluiu.
Itajay Pedra Branca deixa a esposa, a professora Jaci Ferreira Pedra Branca, os filhos Itajay Júnior e Andrews Ferreira Pedra Branca, além das netas Laura e Maria Dulce.
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