Ginecologista Márcia Suely analisa filme e relaciona personagens ao cotidiano feminino
No quadro Mulheres em Pauta, a ginecologista Dra. Márcia Suely relacionou o filme "O Diabo Veste Prada" com a realidade da mulher moderna. Segundo ela, a produção cinematográfica ajuda a refletir sobre pressões profissionais, identidade feminina e saúde física e emocional.
“O filme se conecta muito com o perfil de muitas mulheres hoje em dia, a mulher que está buscando sucesso, que quer o seu lugar ao sol e precisa de validação no mercado de trabalho”, afirmou.
A médica destacou que, na busca por reconhecimento, muitas mulheres acabam negligenciando a própria saúde.
“Ela tem família, tem marido, namorado, mas está ali querendo ser reconhecida profissionalmente e muitas vezes deixa de cuidar de si, da saúde e da família”, disse.
Ao comentar o enredo do filme, a ginecologista destacou que as personagens representam diferentes perfis femininos marcados pelo esgotamento emocional.
“As três personagens têm algo em comum: o esgotamento emocional”, explicou.
Sobre a personagem Miranda, ela destacou o impacto da vida exclusivamente profissional.
“Ela é poderosa, mas é só. Não tem família, não tem amigos. Falta alguma coisa na vida dela”, avaliou.
Já sobre Andy, a médica destacou o conflito entre carreira e identidade pessoal.
“Ela conquista sucesso, mas percebe que está deixando a própria identidade de lado e se afastando da família e do namorado”.
E sobre Emily, reforçou o cenário de exaustão.
“Ela vive estressada, não cuida da saúde e está sempre no limite, como muitas mulheres na vida real”.
A ginecologista destacou que o estresse pode ser mais prejudicial do que as alterações hormonais.
“O estresse, com certeza, adoece muito mais do que a questão hormonal”, afirmou.
Segundo ela, o equilíbrio emocional pode influenciar diretamente a saúde física.
“Se a mulher cuida da alimentação, do corpo, da espiritualidade e do bem-estar, muitas vezes chega na menopausa muito melhor do que outras”.
A médica também relatou experiências de consultório para ilustrar a importância do acolhimento.
“Às vezes, nós somos o remédio para a paciente. Escutar já faz diferença no tratamento”, disse.
Ela contou o caso de uma paciente que reduziu o uso de medicamentos antidepressivos após acompanhamento mais amplo:
“Ela chegou tomando seis antidepressivos e depois conseguimos reduzir para dois, com equilíbrio emocional e metabólico”.
A ginecologista ainda destacou a importância da espiritualidade no processo de saúde.
“A espiritualidade é essencial. Quando a gente se conecta com Deus e consigo mesmo, tudo flui melhor”, afirmou.
A médica reforçou a necessidade de priorizar a própria saúde antes das exigências externas.
“Antes de qualquer coisa, a mulher precisa ter identidade e prioridade na saúde e no bem-estar. Quando o trabalho começa a adoecer, não compensa mais”, finalizou.