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Fisioterapeuta explica estudo brasileiro sobre polilaminina na reabilitação de lesões medulares

Pesquisa inédita conduzida no Brasil investiga o uso da substância na regeneração da medula espinhal e gera expectativa na área da neuroreabilitação.

Por Rafa
segunda-feira, 02 de fevereiro de 2026
Imagem de Fisioterapeuta explica estudo brasileiro sobre polilaminina na reabilitação de lesões medulares

Uma pesquisa inédita, desenvolvida no Brasil, pode representar um marco histórico no tratamento de pessoas com traumatismo raquimedular (TRM). O tema foi destaque no quadro “Neuroreabilitação em Pauta”, no programa Cidade em Pauta, com a participação do fisioterapeuta Vinícius Oliveira, da Reabserv, referência em fisioterapia neurofuncional em Feira de Santana.

Durante a entrevista, Vinícius explicou a importância da polilaminina, uma proteína estudada há mais de 25 anos por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e que agora começa a ser testada clinicamente em humanos após liberação da Anvisa, no dia 5 de janeiro.

“Estamos diante de um marco histórico brasileiro. Nenhum outro país do mundo — nem Estados Unidos, nem Europa, nem China — tem essa pesquisa em andamento. É algo exclusivo do Brasil”, destacou.

Segundo o fisioterapeuta, a polilaminina é uma proteína derivada da laminina, presente naturalmente na fase embrionária humana, com papel fundamental na formação dos neurônios.

“Durante a fase embrionária, essa proteína atua na formação dos neurônios. Ela tem até um formato de cruz e participa diretamente do desenvolvimento do sistema nervoso”, explicou.

A partir dessa descoberta, pesquisadores passaram a estudar sua aplicação no processo de regeneração da medula espinhal após lesões traumáticas, como acidentes de trânsito, mergulhos em águas rasas e quedas.

Os estudos clínicos autorizados pela Anvisa estão sendo realizados com pacientes que sofreram lesões na região torácica da medula, com aplicação da polilaminina nas primeiras 72 horas após o trauma.

“A teoria é que, assim como ela atua no embrião, essa proteína possa contribuir para a recuperação dos neurônios quando aplicada logo após a lesão medular”, afirmou Vinícius.

A substância é produzida em laboratório a partir de pesquisas avançadas e resulta de uma parceria entre a UFRJ e a indústria farmacêutica brasileira.

O tema ganhou grande repercussão nacional após o caso de uma influenciadora digital de São Paulo que ficou tetraplégica após um mergulho e recebeu a substância por meio de uso compassivo, autorizado pela Justiça.

“Hoje já existem mais de 20 pacientes que conseguiram acesso à medicação por liminar judicial. Mas é importante deixar claro que ainda não é possível afirmar se a melhora observada em alguns casos é resultado da polilaminina ou da recuperação natural do trauma”, ponderou.

Apesar da expectativa, Vinícius reforçou a necessidade de cautela e responsabilidade científica.

“A gente precisa aguardar os resultados dos estudos clínicos. Enquanto profissional de saúde, eu fico muito esperançoso, mas também preciso ter um olhar técnico, baseado em evidências. Não podemos criar falsas expectativas”, alertou.

Ele lembrou ainda que muitos pacientes apresentam evolução funcional mesmo sem o uso da nova substância, devido à redução do edema e ao processo natural de recuperação associado à reabilitação intensiva.

Durante a entrevista, o fisioterapeuta destacou que a lesão medular é uma das condições mais incapacitantes, afetando principalmente pessoas jovens.

“É um impacto físico, psicológico e social enorme. O paciente entra em uma fase de choque, negação e passa a depender de familiares e de uma equipe especializada”, explicou.

Segundo ele, a reabilitação é um processo de longo prazo e envolve uma equipe multiprofissional.

“Não é só fisioterapia. O paciente precisa de acompanhamento psicológico, nutricional, médico, educador físico. É uma reabilitação que pode durar meses ou anos”, disse.

Vinícius ressaltou que cada pequeno avanço representa uma grande conquista para quem vive com uma lesão medular.

“Às vezes, mexer um dedo do pé, levantar um pouco o braço ou conseguir sentar já é algo grandioso. Coisas simples do dia a dia, como tomar banho, ir ao banheiro ou abraçar um familiar, passam a ter um valor imenso”, afirmou.

O fisioterapeuta deixou uma mensagem de esperança responsável.

“Acredito muito na ciência e na medicina baseada em evidências. Precisamos valorizar os cientistas brasileiros e confiar no avanço da pesquisa, mas sempre com cautela. Nosso papel é cuidar de pessoas, com humanidade, sem criar ilusões”, concluiu.

Ele reforçou que a Reabserv está à disposição para orientar pacientes e familiares, destacando que informação de qualidade é essencial para melhores resultados na reabilitação neurológica.

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