O evento foi promovido pela Câmara da Mulher Empresária (CME), em parceria com o Sicomércio, com o objetivo de ampliar a conscientização e estimular um debate qualificado sobre segurança viária.
Empresários, gestores públicos, profissionais de saúde, autoridades e representantes da sociedade civil participaram, na manhã desta segunda-feira (15), do Fórum “Vítimas de Violência no Trânsito – Por um Trânsito mais Seguro e Humano”, realizado no Auditório do Sest/Senat, em Feira de Santana. O evento foi promovido pela Câmara da Mulher Empresária (CME), em parceria com o Sicomércio, com o objetivo de ampliar a conscientização e estimular um debate qualificado sobre segurança viária.
O encontro reuniu representantes dos poderes público municipal, estadual e federal, além de especialistas, imprensa e entidades ligadas ao trânsito e à saúde. A proposta foi discutir os impactos da violência no trânsito, especialmente o alto número de acidentes envolvendo motociclistas, e construir caminhos para a redução de sinistros e mortes nas vias públicas.
Presidente do Sicomércio, Marco Silva explicou que a iniciativa surgiu a partir da preocupação do setor empresarial com os dados alarmantes registrados no Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA). Segundo ele, uma visita realizada à unidade no início do ano evidenciou a gravidade do problema.

“Nós vimos o impacto que é o trânsito. Impacto econômico? Sim, mas principalmente de vida. No fim de semana, aquilo ali vira um ambiente de guerra, com pessoas que perdem a vida, famílias despedaçadas e outras que ficam com sequelas irreversíveis”, afirmou.
De acordo com Marco Silva, o fórum representa um primeiro passo de mobilização da sociedade civil organizada.
“Foi desse incômodo que pensamos: precisamos fazer alguma coisa. A ideia é sair daqui com linhas mestras de trabalho, para que Feira de Santana seja exemplo e liderança também na promoção de um trânsito mais humano e seguro”, destacou.
O presidente do Sicomércio defendeu a adoção de medidas integradas, envolvendo educação, sinalização e fiscalização.
“Se a gente melhorar a sinalização, investir em educação e cobrar mais responsabilidade, inclusive de empresas de aplicativo e dos próprios trabalhadores, a gente pode salvar vidas. Às vezes, uma multa pesa no bolso, mas salva uma vida”, pontuou.
Marco Silva anunciou ainda que o debate terá continuidade com um segundo encontro, previsto para o dia 2 de março de 2026, que será aberto à população.
“Vamos construir um documento com responsabilidades compartilhadas. Não é para apontar culpados, mas para que cada um faça a sua parte. Queremos transformar isso em uma ação popular, em cidadania no trânsito”, completou.
Coordenadora da Câmara da Mulher Empresária de Feira de Santana, Leidiene Queiroz ressaltou que o fórum foi pensado para envolver não apenas Feira de Santana, mas também municípios vizinhos.

“Os dados mostram que muitos dos acidentes graves atendidos no Clériston vêm de outras cidades. Por isso, prefeitos da região também foram convidados a participar desse debate”, explicou.
Segundo ela, a mobilização precisa ir além do poder público. “Não adianta só o órgão público agir se a população não participar. No segundo momento do fórum, queremos apresentar propostas, mas também chamar a população à responsabilidade, porque o trânsito é de todos”, afirmou.
Leidiene destacou ainda que a CME decidiu atuar de forma mais incisiva para cobrar resultados concretos.
“Reuniões já aconteceram antes, mas as vítimas continuam chegando ao hospital. Nós não queremos paliativos. Queremos um trânsito mais seguro e vamos cobrar isso de todos, inclusive de nós mesmos”, garantiu.
Para a coordenadora, a educação é o principal caminho para a mudança.
“O ideal é que isso seja trabalhado desde a infância. Se as escolas, públicas e privadas, aderirem a essa conscientização, teremos jovens e adultos mais conscientes e um futuro mais saudável no trânsito”, pontuou.
O deputado federal Zé Neto avaliou que a violência no trânsito é resultado de falhas conjuntas do poder público e da sociedade. Ele destacou o crescimento dos aplicativos de entrega e a pressão sobre motociclistas.

“Esses jovens precisam de acolhimento, mais educação no trânsito e procedimentos regulares que garantam segurança e qualidade nessas atividades”, disse.
Zé Neto ressaltou a importância do fórum por reunir diferentes setores. “Aqui estão empresários, município, Estado, SAMU, hospitais, segurança pública, órgãos de trânsito e Polícia Rodoviária Federal. Essa união é o que pode gerar resultados efetivos”, avaliou.
O parlamentar também citou iniciativas voltadas à formação de condutores e à redução do custo da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
“Ampliar o acesso gratuito e reduzir taxas ajuda, mas é fundamental garantir qualidade na formação e campanhas permanentes que envolvam escolas, famílias, igrejas e setores organizados”, defendeu.
O superintendente municipal de Trânsito, Ricardo Cunha, avaliou positivamente o espaço de diálogo proporcionado pelo fórum e destacou a importância da transparência administrativa.

“Esse tipo de encontro ajuda a não esconder os problemas, mas a expor o que está acontecendo e buscar alternativas”, afirmou.
Ele citou avanços estruturais realizados ao longo de 2025, como investimentos em sinalização, com a implantação de cerca de 200 placas e faixas de pedestres, além da renovação da frota, valorização dos agentes e uso de tecnologia. “Hoje eu sei exatamente onde cada viatura está e sei que todas estão trabalhando”, disse.
Apesar dos avanços, Ricardo Cunha ressaltou que o maior desafio continua sendo o comportamento humano.
“A mudança de comportamento é o principal problema. O motociclista, o pedestre e o condutor precisam se enxergar como atores do trânsito”, alertou.
Durante o fórum, a diretora-geral do Hospital Geral Clériston Andrade, Cristiana França, apresentou dados que evidenciam a gravidade da situação. De janeiro a outubro deste ano, mais de quatro mil pessoas foram internadas no hospital vítimas de acidentes de trânsito.

“É um dado extremamente agravante. Cada dia essa condição tem piorado e isso impacta diretamente o funcionamento do hospital e o financiamento do sistema público de saúde”, afirmou. Segundo ela, recursos que poderiam ser usados para ampliar serviços acabam sendo direcionados ao atendimento dessas vítimas.
Cristiana França destacou ainda a sobrecarga do setor de ortotrauma e o alto custo dos atendimentos, especialmente em UTI.
“Temos estrutura para sete leitos, mas atendemos, em média, mais de 50 pacientes. Um paciente em UTI pode custar mais de cinco mil reais por dia”, explicou.
O perfil das vítimas também preocupa. “Cerca de 80% dos atendimentos envolvem motociclistas. Muitos não utilizam equipamentos de proteção, o que agrava ainda mais os ferimentos”, alertou.
Com a proximidade das festas de fim de ano, a diretora informou que o hospital se prepara para um possível aumento na demanda, mas reforçou o desejo de redução dos casos.
“O trânsito não pode ser uma arma. Carro e moto precisam ser meios de transporte, não instrumentos de violência. Quanto mais prudência, menos acidentes”, concluiu.
*Com informações da repórter Isabel Bomfim