A participação no congresso internacional reforça o compromisso da profissional com a atualização constante e com a promoção da saúde da mulher em Feira de Santana.
Diretamente dos Estados Unidos, onde participa do Congresso Mundial de Menopausa promovido por Harvard, a ginecologista de Feira de Santana Dra. Glauce Casaes trouxe atualizações importantes sobre o tema, reforçando que a menopausa, ainda cercada de dúvidas e mitos, vem sendo cada vez mais compreendida à luz da ciência.
O WHAM - Women's Health and Menopause (Saúde da Mulher e Menopausa) é um curso de educação médica continuada de destaque, promovido pela Harvard Medical School reunindo especialistas para discutir as atualizações mais recentes sobre climatério, menopausa e saúde feminina.

Durante entrevista ao programa Jornal do Meio Dia da rádio Princesa FM, a médica destacou a relevância da experiência internacional e o contato com especialistas renomados.
“Tem sido uma experiência maravilhosa. Estou tendo a oportunidade de estar com os maiores professores de menopausa. Isso nos dá ainda mais segurança de seguir no caminho correto, baseado em evidências científicas”, afirmou.
Apesar das novidades apresentadas no congresso, Glauce ressaltou que grande parte das práticas já adotadas em Feira de Santana está alinhada com o que há de mais atual.
“Minha primeira satisfação foi saber que nós estamos no caminho certo. Muito do que está sendo discutido aqui já é aplicado por nós, porque estamos sempre nos atualizando com artigos científicos”, pontuou.
Um dos principais pontos reforçados no congresso, segundo a médica, é a importância dos hábitos de vida saudáveis no enfrentamento da menopausa.
“A menopausa começa com o básico bem feito. Não é vaidade, é saúde. A paciente não pode ter sobrepeso ou obesidade, porque isso aumenta riscos, principalmente cardiovasculares”, explicou.
Ela destacou ainda a importância da prática de exercícios físicos, alimentação equilibrada e sono de qualidade.
“A musculação, o aeróbico, o sono de qualidade, o controle do estresse e uma alimentação rica em proteínas fazem toda a diferença. Parece simples, mas isso determina uma menopausa saudável”, disse.
Entre as novidades, Glauce destacou o surgimento de uma nova medicação voltada para mulheres que não podem ou não desejam fazer reposição hormonal, especialmente pacientes com histórico de câncer de mama.
“Já existe nos Estados Unidos uma medicação chamada fezolinetant, com nome comercial Veozah, que tem efeito fantástico para aquelas mulheres que sofrem com os fogachos intensos. Ela atua no centro termorregulador do cérebro e melhora muito esses sintomas”, explicou.
A expectativa é que o medicamento chegue ao Brasil em breve.
Outro ponto importante abordado foi a mudança de percepção em relação à terapia de reposição hormonal. Segundo a médica, novas evidências têm reduzido antigos receios.
“O FDA, que é como se fosse a Anvisa nos Estados Unidos, retirou a tarja preta dos hormônios, que indicava risco de câncer, infarto e AVC. Hoje sabemos que houve um erro de interpretação em estudos antigos, que utilizavam hormônios que não são mais usados e com pacientes fora do perfil ideal”, explicou.
Ela reforçou que o tratamento deve ser individualizado. “Hoje seguimos com segurança, com base na medicina de precisão e na avaliação clínica de cada paciente”, afirmou.
A especialista também chamou atenção para fatores que antecedem a menopausa e que podem impactar a saúde da mulher no futuro.
“O coração da mulher tem relação com a sua história ginecológica. Pacientes com ovário policístico, pré-eclâmpsia ou diabetes gestacional têm maior risco de doenças cardiovasculares na menopausa”, alertou.
Segundo ela, mulheres que tiveram complicações na gestação podem ter até o dobro de risco de eventos cardiovasculares mais tarde.
“Isso não é para assustar, é para prevenir. Hoje trabalhamos com medicina preventiva”, destacou.
Dra. Glauce reforçou a importância da prevenção e do cuidado contínuo com a saúde feminina.
“Hoje a gente consegue prevenir osteoporose, obesidade, doenças cardiovasculares e até impactos na saúde mental. Não pode existir uma mulher que desista de envelhecer bem”, afirmou.
A médica também destacou os impactos da menopausa na qualidade de vida, incluindo sintomas como ressecamento vaginal e infecções urinárias recorrentes.
“É possível tratar e melhorar a qualidade de vida dessas mulheres”, disse.
Ela deixou uma mensagem de incentivo para as mulheres: “Toda mulher pode ter uma menopausa saudável, com autonomia, independência e qualidade de vida. É possível viver bem, viajar, cuidar da família e aproveitar essa fase”.
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