Advogado Ramon Camurugy orienta vítimas a confirmar qualquer solicitação de pagamento diretamente com o profissional responsável pela ação
Um golpe que tem como alvo pessoas envolvidas em processos judiciais tem ganhado atenção: o do falso advogado. Segundo o advogado Ramon Camurugy, os criminosos utilizam informações reais de processos e até dados dos profissionais responsáveis pelos casos para convencer as vítimas de que houve uma decisão favorável na Justiça e, em seguida, cobrar valores para suposta liberação do dinheiro.
“O golpe do falso advogado é quando o golpista se passa pelo advogado da vítima, com fotos. Ele sabe a numeração daquele requerimento, daquela ação judicial e aí solicita da vítima o pagamento de DAJ para poder conseguir o valor pretendido na Justiça”, explicou.
De acordo com o advogado, a abordagem geralmente acontece por meio do WhatsApp. O criminoso apresenta informações verdadeiras sobre o processo, o que acaba dando credibilidade à fraude. Ramon Camurugy destaca que, diante de qualquer pedido de pagamento, o cliente deve entrar em contato diretamente com o advogado que acompanha a ação.
“O conselho é: qualquer contato de advogados pelo WhatsApp através de alguma ação judicial, antes de fazer qualquer tipo de pagamento, ligue para o celular do seu advogado. O cliente deve ter o celular dele e confirmar as informações para saber se é ou não. Mas não pague nenhum tipo de valor antes de conversar com o seu advogado”, alertou.
Ainda segundo Dr. Ramon, um dos principais sinais de alerta é quando o suposto advogado solicita, de forma imediata, o pagamento de valores para liberar uma quantia conquistada em um processo. Ele explica que, normalmente, o procedimento judicial não funciona dessa maneira.
“Normalmente é possível desconfiar quando o advogado já de pronto solicita pagamento de algum tipo de valor, algum tipo de custas processuais para liberação desse valor. Normalmente, na Justiça, não funciona dessa forma”, afirmou.
O advogado explicou que, quando o cliente vence uma ação, o profissional costuma comunicar o resultado e informar sobre a liberação do valor por meio de alvará judicial. Segundo ele, não é comum a cobrança de novas custas para que o dinheiro seja liberado.
“Quando o cliente ganha a causa, o advogado normalmente liga, informa o êxito da causa e informa que o juiz irá liberar um alvará judicial. Não é necessário pagar mais custas antes da liberação do valor”, disse.
Dr. Ramon também lembrou que as custas processuais, quando devidas, geralmente são cobradas no início do processo, durante a apresentação da petição inicial, caso a parte não tenha direito à Justiça gratuita.
“Normalmente, as custas processuais são cobradas no início da petição inicial quando não se consegue Justiça gratuita. Então, quando um determinado advogado, entre aspas, solicitar pagamento de qualquer valor após a ação judicial, aí já é possível emitir um alerta”, explicou.
Para aplicar o golpe, os criminosos buscam dados disponíveis na internet. Conforme Dr. Ramon, informações sobre processos e partes envolvidas podem ser utilizadas para criar uma abordagem convincente.
“O golpista consegue dados sensíveis da vítima em sites como o JusBrasil e no Google. Através desses dados, ele chega até a vítima e informa que a ação judicial obteve êxito. Consegue também os dados do advogado e, dessa forma, convence a vítima através dessas informações”, relatou.
Com os dados em mãos, o criminoso passa a cobrar valores referentes a supostas custas judiciais para a liberação do crédito.
“Ele solicita o pagamento de possíveis, entre aspas, custas judiciais para liberação do crédito, do valor pretendido na ação judicial”, concluiu o advogado.
A principal orientação é não realizar transferências ou pagamentos antes de confirmar diretamente com o advogado responsável pelo processo. Em caso de dúvida, o cliente deve utilizar um canal de contato já conhecido e evitar responder ou seguir as instruções do número que fez a abordagem.