Com o bicentenário se aproximando, o desafio é equilibrar crescimento econômico e preservação da memória
Com 192 anos de fundação e a oito de completar seu bicentenário, Feira de Santana mantém viva uma trajetória marcada pela importância econômica, social e cultural para a Bahia. O professor e historiador Rafael Dantas, ex-coordenador de Turismo Cultural, Histórico e Religioso do Estado, destacou a relevância da cidade em entrevista à série especial Feira de Santana e Sua História – Rumo aos 200 anos.
“Feira é hoje uma cidade de tamanha relevância, um dos principais pontos de referência logística do estado. Qualquer planejamento estratégico na Bahia passa por aqui”, afirmou, lembrando que essa força não surgiu de forma repentina. “No final do século XVIII e ao longo do XIX, a região já era conhecida pela produção agrícola e pecuária, abastecendo Salvador e outros centros.”
Segundo o historiador, a geografia foi determinante para o crescimento. “A localização de Feira, próxima à capital e aos caminhos do sertão, favoreceu o surgimento de vilarejos e o comércio de insumos, rebanhos, frutas e legumes. Era um ponto de encontro de comerciantes e pecuaristas, com rotas que conectavam o interior ao litoral”, explicou.
A partir do século XX, a cidade consolidou-se como polo de comércio e serviços, tornando-se “um coração alimentado pelas cidades do entorno”, comparou. Ele ressalta, porém, que o desenvolvimento trouxe desafios: “Feira tem uma malha de serviços e comércio impressionante, mas precisa de planejamento a longo prazo, com ações estruturantes e sustentáveis que preservem sua identidade histórica e atraiam novos investimentos.”
O historiador lamentou a perda de parte do patrimônio arquitetônico. “Muitos casarões e sobrados do início do século XX foram destruídos, o que enfraquece a identidade da cidade. É essencial pensar em práticas sustentáveis e em um urbanismo que valorize seus espaços verdes e sua história”, alertou.
Para Rafael Dantas, a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e o poder público têm papel fundamental no fortalecimento regional.
“Não vejo outro caminho senão o planejamento integrado, envolvendo academia, iniciativa privada e governo. Feira é uma grande cidade e precisa continuar projetando-se nacionalmente”, concluiu.