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Historiador relembra mudanças políticas e culturais que moldaram Feira de Santana

Urbanização e cultura: como Feira de Santana se reinventou no início do século XX

Por Rafa
terça-feira, 23 de setembro de 2025

Em entrevista para a série especial Feira de Santana e sua História, o historiador Clóvis Ramaiana destacou que as décadas de 1930 e 1940 foram decisivas para a formação da identidade política, econômica e cultural do município. “Estamos há mais de 20 anos contando a história da cidade e agora também pensando no futuro. Feira tem um passado rico e marcante”, disse.

Ramaiana lembrou que, no contexto nacional, o golpe de 1937 instaurou o Estado Novo, uma ditadura que impulsionou projetos de modernização econômica. Em Feira, isso coincidiu com a renovação das oligarquias locais. “Houve uma substituição geracional das famílias tradicionais, como os Mota e os Bahia, abrindo espaço para lideranças mais jovens”, explicou.

Segundo o historiador, esse período também consolidou a cidade como polo regional. “Feira passa a desempenhar um papel de metrópole não oficial, concentrando comércio e serviços que atendiam ao sertão inteiro. Já nos anos 1940, o comércio feirense estava fortemente consolidado”, relatou.

Entre as mudanças urbanísticas, a abertura da Avenida Senhor dos Passos e a conclusão da Avenida Getúlio Vargas foram marcos. “Nenhuma transformação é maior, do ponto de vista simbólico, do que a criação da Avenida Senhor dos Passos. Ela mudou a cara da cidade e deu a impressão de um planejamento urbano moderno”, destacou.

A década também foi marcada pela criação de equipamentos como o Instituto do Fumo, a Usina de Algodão e o Aviário Modelo, que estimularam o crescimento econômico. Em 1943, a inauguração do Ginásio Municipal e da Biblioteca Municipal reforçou o novo perfil urbano.

No campo cultural, o carnaval feirense já tinha força, mas a grande celebração era a Festa de Sant’Ana, realizada em janeiro. “Era a festa mais potente da cidade, misturando batuques, marujada e o candomblé. Mobilizava toda a população desde dezembro”, contou.

Ramaiana também destacou a importância de Luís Resende, poeta negro que produziu obras sobre o candomblé em uma época de perseguição religiosa. “Ele é uma das personalidades mais marcantes do período, escrevendo poesia sobre um tema considerado proibido”, ressaltou.

O historiador lamentou a perda de destaque das feiras livres, que deram nome e identidade ao município. “A forma como a feira livre foi extinta foi uma violência. Precisamos tratar com carinho essa história, que envolve gerações de feirantes e é a essência da cidade”, afirmou.

Ramaiana defendeu que as feiras sejam resgatadas como patrimônio cultural e turístico. “Caruaru transformou sua feira em cartão-postal. Feira de Santana tem potencial para fazer o mesmo, valorizando a tradição que a fez crescer e se tornar referência regional”, concluiu.

Com suas mudanças políticas, econômicas e culturais, as décadas de 1930 e 1940 ajudaram a forjar a Feira de Santana moderna — uma cidade que, segundo o historiador, “foi moldada a ferro e fogo pelas pessoas que a fizeram naquele período e continua carregando essa identidade até hoje”.

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