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Iluminação residencial pode transformar ambientes e valorizar projetos, explica arquiteta

Adriele Ferreira destaca a importância do projeto luminotécnico, explica diferenças entre tipos de iluminação e aponta erros comuns em casas e estabelecimentos comerciais

Victória SilvaRedação: Victória Silva
domingo, 13 de setembro de 2026 às 16:46
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A iluminação é um dos elementos capazes de transformar completamente um ambiente, tanto em imóveis residenciais quanto comerciais. Além de cumprir a função de iluminar, ela pode valorizar formas, materiais e objetos, criar diferentes cenários e proporcionar sensações de aconchego, conforto ou atenção.

Durante participação no quadro Home News, do Jornal do Meio Dia, a arquiteta e urbanista Adriele Ferreira falou sobre a importância de pensar a iluminação desde o início de um projeto arquitetônico e destacou alguns dos erros mais comuns cometidos na escolha de lâmpadas e luminárias.

Segundo Adriele, iluminação e arquitetura precisam ser planejadas em conjunto.

“Ela não serve somente para iluminar, mas também para valorizar formas, materiais, volumes e trazer sensações para o ambiente. A arquitetura cria o espaço, a iluminação revela esse espaço.”

Iluminação geral e de destaque

A profissional explica que existem diferentes funções para a iluminação e que a escolha deve levar em consideração as características e necessidades de cada ambiente.

“A iluminação geral é para ambientes que requerem mais atenção. No escritório, por exemplo, em um hospital, então é iluminação geral. A iluminação de destaque é quando a gente quer destacar algum objeto ou uma iluminação indireta, como a cabeceira de cama, sanca”, explicou.

Esse tipo de iluminação também é bastante utilizado em estabelecimentos comerciais, principalmente para valorizar vitrines, produtos, manequins e quadros.

Para os comerciantes que desejam melhorar a apresentação das vitrines, Adriele chama atenção para a necessidade de uma iluminação adequada.

“Eu vejo muitas vitrines apagadas justamente por falta de iluminação adequada. Geralmente eu gosto de usar a R111 ou PAR30 para estar iluminando bastante essas vitrines. Gosto de usar entre a neutra ou a quente, mas também depende. E quanto mais iluminação na vitrine, melhor, porque é onde vai destacar e onde o cliente passa e vê.”

De acordo com a arquiteta, investir na iluminação da vitrine pode contribuir também para o desempenho comercial. “Então isso pode aumentar as vendas, com toda certeza”, afirmou.

Ambientes integrados exigem atenção

Nas residências, a iluminação também precisa acompanhar a função de cada espaço. Adriele destaca que um dos desafios atuais está nos ambientes integrados, principalmente salas e cozinhas.

Com a popularização dos espaços abertos, a arquiteta alerta para o cuidado com a mistura de diferentes temperaturas de cor em um mesmo ambiente.

“Eu vejo muitos erros. Eu até dou risada porque o pessoal coloca um tipo de iluminação na sala e outra na cozinha. Aí fica aquela poluição visual: um branco neutro na cozinha e o branco quente na sala. Eu costumo dizer que isso é errado visualmente.”

Segundo ela, uma alternativa é trabalhar com a mesma temperatura de cor nos ambientes integrados, mantendo a harmonia visual.

Ao mesmo tempo, isso não significa que o espaço precise ter apenas uma possibilidade de iluminação. A profissional recomenda a criação de diferentes cenários, que podem ser utilizados de acordo com o momento.

“A gente pode criar diversos cenários através da iluminação. Aí o que a gente vai usar? A iluminação direta e indireta.”

Na cozinha, por exemplo, a iluminação pode ser direcionada para as áreas de trabalho, inclusive utilizando a marcenaria para criar pontos de destaque. Já na sala, sancas, abajures e luminárias podem ajudar a criar um ambiente mais aconchegante.

“Se você quer um aconchego, assistir um cineminha, liga ali só a sanca e desliga a geral. Mas quando você requer uma atenção maior na sala, liga geral. Se quiser ligar a sanca, mas aí você consegue fazer esses cenários com a luz.”

Entre as opções para criar diferentes efeitos, Adriele cita ainda “o abajur, a sanca” e as “mini dicroicas, que são pontuais”, permitindo combinar diferentes fontes de luz.

Iluminação do jardim é um dos erros mais comuns

Outro ponto destacado pela arquiteta foi a iluminação de áreas externas. Segundo Adriele, um erro bastante comum é utilizar luz verde para iluminar jardins.

“O jardim, o pessoal tem muito costume de usar a iluminação verde. E é erradíssimo usar a iluminação verde no jardim.”

Ela explica que, apesar de a intenção ser destacar a vegetação, o resultado pode acabar prejudicando a percepção do espaço.

“O pessoal acha que vai estar destacando o verde com o que já é verde. Fica apagado, ofuscado. Na verdade, a palavra correta... O ideal é usar uma iluminação branco neutro ou um branco quente para iluminar esse jardim.”

A mistura inadequada de temperaturas de cor também aparece, segundo Adriele, entre os principais problemas encontrados nos projetos.

“Tem a questão do que eu falei logo no início, que é misturar temperaturas de cores no mesmo ambiente: branco neutro na sala e branco quente na cozinha, vice-versa. E aí isso são erros gravíssimos.”

Projeto luminotécnico deve ser feito por profissional

Para quem está construindo ou reformando uma residência, a principal recomendação da arquiteta é buscar orientação profissional antes de definir os pontos de iluminação.

“Eu diria que é contratar um profissional da área que entenda realmente de iluminação, pegar o leiaute ali da sua planta e fazer o projeto luminotécnico.”

Segundo Adriele, o projeto permite definir previamente as necessidades de cada cômodo e escolher o tipo de iluminação mais adequado.

“Através do projeto luminotécnico a gente vai pontuar o que vai ser para cada ambiente: uma iluminação direta, uma iluminação indireta ou uma iluminação de destaque.”

Cor da lâmpada não determina sozinha a intensidade da iluminação

Durante a entrevista, a arquiteta também chamou atenção para uma percepção comum entre consumidores: a ideia de que a luz branca fria necessariamente ilumina mais do que a luz quente.

“Meus clientes têm muita ideia de que o branco ilumina mais. O branco frio ilumina mais do que o branco quente, que é a luz amarelinha.”

Adriele explica, porém, que a capacidade de iluminação está relacionada a aspectos técnicos, como a quantidade de lúmens fornecida pela lâmpada e o índice de reprodução de cor, conhecido como IRC.

“O que vai determinar o que vai iluminar ou não é o índice de reprodução de cor e a quantidade de lúmens que aquela lâmpada fornece, porque cada lâmpada tem uma quantidade de lúmens em específico.”

Ela também orienta que, ao escolher uma lâmpada, o consumidor observe o IRC. “Quanto maior, melhor, acima de 90 é melhor, porque você vai realçar o que você vai iluminar.”

Na cozinha, por exemplo, um IRC mais elevado pode ajudar na percepção das cores dos alimentos.

“Acima de 90 você vai estar ali na cozinha fazendo o seu alimento, você vai ver as cores mais vivas.”

Para Adriele, conhecer essas especificações técnicas reforça a importância da orientação profissional na elaboração de um projeto de iluminação.

“Se você for comprar uma lâmpada, não sabe, não tem esse conhecimento, você vai ver aquela cor assim mais muxuruca, apagada e aí vai botar a culpa na iluminação quente. Mas não é isso. É todo um detalhe técnico especificado que só o profissional vai conseguir me proporcionar.”

Ao final da entrevista, Adriele Ferreira informou que pode ser encontrada no Instagram pelo perfil @arquidri.

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