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Impasse sobre feriados adia convenção coletiva do comércio em Feira de Santana

Negociação chega à sétima reunião sem acordo; reajuste salarial já está definido, mas entrave sobre funcionamento em feriados segue travando assinatura

Por Rafa
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
Imagem de Impasse sobre feriados adia convenção coletiva do comércio em Feira de Santana

A negociação da Convenção Coletiva de Trabalho do comércio de Feira de Santana segue sem desfecho após a sétima reunião formal entre o Sindicato do Comércio (Sicomércio) e o Sindicato dos Empregados do Comércio (SECOFS). O principal entrave continua sendo o funcionamento do comércio em feriados, especialmente nos bairros e em datas consideradas estratégicas para as vendas. Uma nova reunião está marcada para 4 de fevereiro.

Segundo o presidente do Sicomércio, Marco Silva, as tratativas tiveram início ainda em outubro do ano passado, período da data-base da categoria, em 1º de novembro. Ele classificou mais um encontro como frustrante, apesar de reconhecer avanços importantes.

“Infelizmente, mais uma reunião frustrante. A questão econômica e financeira já está toda resolvida, mas em pontos como os feriados a gente não conseguiu evoluir”, afirmou.

Marco Silva destacou que a proposta patronal não traz novidades, defendendo apenas a manutenção das regras atuais previstas na convenção coletiva e na legislação municipal.

“O que estamos propondo é a manutenção do que já existe. Não é inovação, nem pedido novo. Eles querem retroceder, e isso a gente não vai permitir”, disse.

O dirigente ressaltou que existe uma diferença entre horário de funcionamento do comércio, definido pela Prefeitura, e jornada de trabalho do comerciário, que é negociada entre os sindicatos.

“O comércio pode funcionar. O que a gente regula aqui é a jornada do trabalhador. Quando falamos em funcionamento aos domingos e feriados, não é com o mesmo trabalhador”, explicou.

Ele alertou ainda para o impacto da concorrência com o comércio digital.

“Se o comércio não estiver aberto, com loja organizada e pronta para atender, a gente vai simplesmente destruir o comércio formal”, afirmou.

De acordo com Marco Silva, a maior discordância está na tentativa do sindicato laboral de fechar o comércio dos bairros nos feriados, o que, segundo ele, prejudicaria pequenos empresários.

“O comércio dos bairros é muito forte. No dia em que o centro está fechado, é o dia que eles precisam funcionar para vender”, argumentou.

Apesar do impasse, o reajuste salarial já foi acordado. Marco Silva revelou que houve ganho real acima da inflação, mas a convenção ainda não foi assinada por causa das divergências.

“A inflação está em 4,45% e o reajuste ficou em cerca de 6%. Houve ganho real, sim”, afirmou.

Ele alertou para os prejuízos causados pelo atraso na formalização do acordo.

“Já são quatro meses de diferença salarial acumulada. É ruim para o comerciário e ruim para o empresário, que não sabe qual vai ser o orçamento da folha em 2026”, disse.

Já o presidente do SECOFS, Antônio Cedraz, afirmou que o principal ponto defendido pela categoria é o Dia do Comerciário, celebrado nacionalmente, e a garantia de feriados também para os trabalhadores dos bairros.

“Toda a categoria no Brasil comemora o dia do comerciário. Nós abrimos mão de mais de dois feriados para compensar o Carnaval. Eles só querem tirar o dia do comerciário”, declarou.

Cedraz destacou que os empregados do comércio de bairro também precisam ser contemplados.

“O comércio do bairro não tem um feriado sequer na convenção coletiva, e eles também são trabalhadores. Solicitamos apenas três feriados para o comércio de bairros”, afirmou.

Para o sindicalista, o impasse pode acabar sendo levado à mediação do Ministério do Trabalho ou até à Justiça, caso não haja avanço.

“Espero que haja bom senso. Não pode haver imposição de nenhum dos lados. Dois sindicatos que sempre negociaram não podem deixar a situação chegar a esse ponto”, concluiu.

*Com informações da repórter Isabel Bomfim

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