12/07/2026
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Influenciadora e arquiteta incentiva feirenses a redescobrirem a própria cidade

Mana Lula defende que conhecer a história é o primeiro passo para valorizar o patrimônio feirense.

Victória SilvaRedação: Victória Silva
sábado, 11 de julho de 2026 às 18:24
Imagem de Influenciadora e arquiteta incentiva feirenses a redescobrirem a própria cidade

A valorização da história e do patrimônio de Feira de Santana foi o tema da entrevista com a arquiteta e urbanista Manuela Lula, conhecida nas redes sociais como Mana Lula. Durante participação no Jornal do Meio Dia, da Princesa FM, ela falou sobre o trabalho de pesquisa que desenvolve para resgatar memórias da cidade, aproximar diferentes gerações e incentivar os feirenses a conhecerem melhor suas origens.

Segundo Mana Lula, o projeto surgiu de maneira espontânea, ainda durante a graduação em Arquitetura. Inicialmente, ela produzia desenhos de pontos históricos da cidade e publicava nas redes sociais, sem imaginar a repercussão.

"Surgiu de uma forma muito natural. Eu comecei desenhando os pontos de Feira e as pessoas começaram a gostar. Foi aí que percebi que existia uma falta muito grande de conteúdos sobre a nossa cidade."

Ela conta que a dificuldade em encontrar informações sobre Feira de Santana foi um dos fatores que motivaram a criação do perfil.

"Muito da história de Feira não está presente no Google. As pessoas são a própria fonte da cidade. Muita coisa só existe na memória de quem viveu."

Para produzir os conteúdos, a arquiteta afirma que suas principais fontes são os moradores mais antigos, além de livros, documentos e grupos nas redes sociais.

"Eu gosto muito de conversar com o pessoal mais velho. Eles mostram uma Feira completamente diferente da que eu conheço hoje. Também busco informações em grupos de moradores e em livros que, muitas vezes, nem são mais vendidos."

Ela destaca que procura sempre unir relatos históricos às experiências de quem viveu aqueles momentos.

"Para além de explicar com os meus olhos, eu gosto de trazer alguém que realmente viveu aquela história."

Ao contrário da ideia de que os jovens não se interessam por temas ligados ao patrimônio e à história, Mana Lula afirma que percebe exatamente o oposto.

Ela cita o interesse dos estudantes durante palestras e projetos voltados à preservação ambiental e urbana.

"Quando vou às escolas, eles perguntam, participam e demonstram muito interesse. Isso mostra que existe uma juventude querendo valorizar Feira."

Segundo ela, esse movimento fortalece o sentimento de pertencimento e incentiva a preservação da cidade.

Entre os conteúdos que mais repercutem no perfil estão as comparações entre imagens antigas e atuais da cidade.

"Os conteúdos de antes e depois chamam muito a atenção. Quem viveu sente saudade e quem não conheceu percebe o quanto a cidade perdeu."

Ela lamenta a demolição de casarões e edifícios históricos.

"A gente perdeu muitos edifícios que faziam parte da história de Feira. Hoje não temos mais essas referências."

Mana Lula revelou que uma das pesquisas que mais chamou sua atenção foi sobre as chamadas "Cegonhas da Noite", grupo de mulheres que intermediava adoções de crianças em situação de vulnerabilidade.

"Minha única fonte foi uma reportagem do Fantástico da década de 90. Quando publiquei, muita gente nunca tinha ouvido falar dessa história."

Outro conteúdo de grande repercussão foi sobre a antiga praia artificial que existiu em Feira de Santana na década de 1960.

A arquiteta também aponta como desafio a dificuldade de acesso às fontes históricas.

"Muitos livros importantes não são vendidos. As pessoas perguntam onde comprar e eu não sei responder. Isso dificulta democratizar o acesso à informação."

Para ela, seu trabalho acaba funcionando como uma forma de preservar e compartilhar esse conhecimento com a população.

"É quase um trabalho comunitário para resgatar essa memória."

Mana Lula também falou sobre a necessidade de pensar o crescimento urbano sem apagar a história da cidade.

Segundo ela, Feira perdeu importantes referências arquitetônicas, áreas verdes e lagoas ao longo dos anos.

"Hoje a gente fala muito sobre cidade viva. Precisamos preservar nossos pontos de referência, nossas árvores, nossas lagoas e nossa arquitetura."

Ela lembra que Feira já teve mais de 120 lagoas e atualmente apenas duas estão revitalizadas.

Mana Lula fez um convite para que os moradores redescubram a cidade.

"Convido todo mundo a conhecer a história de Feira, os artistas, a arquitetura, a cultura e os espaços da cidade. Quando a valorização começa pela gente, ela se torna transformadora."

Ela reforçou que conhecer as próprias origens fortalece a identidade da população.

"Como é que a gente vai desvalorizar o lugar de onde veio? Valorizar a nossa história é valorizar quem nós somos."

A arquiteta também convidou o público a acompanhar seu trabalho nas redes sociais (@manalula), onde compartilha pesquisas, curiosidades e registros históricos sobre Feira de Santana, aproximando diferentes gerações da memória da cidade.

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