Delegado Yves Correia atribui resultado à integração entre as forças de segurança, aumento na elucidação de homicídios e combate às organizações criminosas.
Feira de Santana deixou o grupo das dez cidades mais violentas do Brasil após registrar uma redução superior a 30% nas mortes violentas, conforme aponta o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Para o diretor regional Leste da Polícia Civil, delegado Yves Correia, o resultado é fruto da atuação integrada das forças de segurança, do fortalecimento das investigações e da intensificação do combate às organizações criminosas. Apesar do avanço, ele ressalta que os índices ainda representam um desafio e que o trabalho precisa continuar de forma permanente.
Segundo o delegado, a queda nos índices de violência é resultado da atuação conjunta entre Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e guardas municipais.
"Certamente foi um trabalho de integração, de irmandade com as demais forças policiais. Para obter uma redução desse nível é necessário um trabalho conjunto."
Dr. Yves destacou que, além da integração, a Polícia Civil investiu em investigações qualificadas para identificar autores de crimes e enfraquecer financeiramente as organizações criminosas.
"Estabelecemos diversas investigações qualificadas, buscando autoria e materialidade, trabalhando também no viés da asfixia financeira, que é um dos pilares do nosso delegado-geral e do secretário de Segurança Pública. Com isso, alcançamos diversas lideranças criminosas e indivíduos que praticavam crimes violentos e o tráfico de drogas."
O delegado também ressaltou a rapidez na resposta das equipes policiais como um fator importante para a redução da criminalidade.
"Delegados, investigadores e escrivães têm feito um trabalho eficiente, cirúrgico e muito rápido para dar resposta à sociedade."
Na avaliação de Yves Correia, houve um avanço significativo na elucidação de homicídios, especialmente após a implantação do Serviço de Local de Crime (Silc), que conta com equipes especializadas para atuar imediatamente em ocorrências de homicídio, latrocínio, feminicídio e lesão corporal seguida de morte.
"Conseguimos trazer para Feira o Serviço de Local de Crime. Há uma equipe especializada em homicídios pronta para atuar e, muitas vezes, conseguimos alcançar e prender os autores ainda em flagrante."
O delegado também destacou que os números precisam ser analisados considerando a dimensão de Feira de Santana.
"Feira de Santana é a segunda maior cidade da Bahia e é maior que oito capitais brasileiras. Entre mais de cinco mil municípios do país, ocupa a 33ª posição no ranking. Considerando a pujança e o tamanho da cidade, esse ranking demonstra que estamos progredindo positivamente."
Apesar da redução das mortes violentas, Dr. Yves afirmou que o combate às facções criminosas continua sendo o principal desafio das forças de segurança.
Segundo ele, muitas lideranças que comandam crimes em Feira de Santana atuam a partir de outros estados, dificultando o enfrentamento das organizações.
"Os desafios são manter o ciclo operacional constante e frear essas organizações criminosas, que muitas vezes emitem ordens de outros estados."
O delegado citou, como exemplo, lideranças criminosas ligadas a Feira de Santana que foram alvo de operações no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro.
"Havia cinco ou seis indivíduos que lideravam organizações criminosas daqui e estavam no Rio de Janeiro, aterrorizando a cidade. Precisamos alcançar esses autores, independentemente de onde estejam."
Para Dr. Yves, a continuidade da integração entre as forças de segurança e a confiança da população serão fundamentais para manter a tendência de queda da violência.
"Esperamos evoluir cada vez mais. Os números ainda são desafiadores, mas as forças de segurança, com a ajuda e a confiança da população, pretendem reduzir esses índices cada vez mais."