Evento em Feira debate acesso à terra, água e políticas públicas para agricultura familiar
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, abriu na noite desta quarta-feira (28), em Feira de Santana, a 3ª Conferência Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (CEDRSS), realizada no Centro de Convenções do município. O evento segue até o dia 30 de janeiro e reúne mais de 500 participantes de diversos territórios do estado, com o tema “Brasil Rural: Raiz da Vida, Fonte do Bem Viver”.
Durante a abertura, o governador destacou que o encontro é resultado de um amplo processo de escuta, iniciado ainda nas etapas municipais e territoriais, e que o conceito de desenvolvimento rural vai muito além da produção agrícola.

“O rural não se entende apenas como produção. Estamos falando de condições de moradia, educação do campo, saúde no campo, segurança pública, ciência e inovação”, afirmou Jerônimo.
Jerônimo também fez um balanço de duas décadas de políticas públicas voltadas ao campo na Bahia, ressaltando a valorização da agricultura familiar e o papel das entidades organizadas.
“Antes, nem se conhecia esse conceito de agricultura familiar, se falava em pequeno agricultor de forma até desmerecedora. Hoje, vemos esse povo garantindo alimento na mesa, trabalho e dignidade. Isso é fruto de luta, dos sindicatos, cooperativas, das prefeituras, vereadores, deputados e de governos que começaram com Jaques Wagner, passaram por Rui Costa e agora seguimos consolidando e amadurecendo esse trabalho”, pontuou.
O governador também destacou a retomada do protagonismo do tema rural em nível nacional.
“Temos a vantagem de estar ao lado de um presidente que é do rural. Isso nos anima ainda mais. É uma alegria voltar a Feira de Santana e espero que esses dias sejam de muita produção, reflexão e incentivo para que ninguém baixe a cabeça”, completou.

O secretário de Desenvolvimento Rural do Estado, Osni Cardoso, destacou a importância histórica da conferência, que volta a ser realizada após 13 anos sem encontros nacionais sobre o tema.

“O retorno do presidente Lula foi fundamental para isso. A Bahia se organizou, praticamente todos os municípios realizaram suas conferências e os 27 territórios debateram o tema. Reunimos mais de 400 pessoas nas etapas anteriores e agora temos mais de 500 participantes nestes três dias”, afirmou.
Segundo Osni, o evento servirá para avaliar acertos, identificar pontos de melhoria e propor novas políticas públicas, sempre alinhadas aos desafios globais.
“Estamos debatendo o acesso à água, à terra, a produção respeitando o meio ambiente e garantindo que a terra fique para as próximas gerações. A agricultura familiar baiana precisa de terra definitiva, controle das sementes, orçamento adequado e organização em cooperativas”, explicou.

O secretário também ressaltou os avanços econômicos do setor e a diversidade produtiva da Bahia.
“Na última feira da agricultura familiar, tivemos mais de dez mil produtos. Isso mostra a autonomia produtiva que a Bahia conquistou. Quase 20% da população baiana vive dessa estratégia, por isso precisamos olhar para isso todos os dias”, reforçou.
Ao falar especificamente de Feira de Santana, Osni Cardoso ressaltou o potencial produtivo e logístico do município.
“Feira tem um território produtivo, acesso à água, experiências consolidadas como a avicultura e, além disso, é um grande polo de consumo. Aqui se conhece a diversidade da nossa produção e se consome comida de verdade”, disse.

Para o secretário municipal de Agricultura e Recursos Hídricos, Silvaney Araújo, a conferência fortalece um segmento essencial da economia local e estadual.
“A agricultura familiar é responsável por cerca de 70% do alimento que chega à nossa mesa. Esses três dias vão servir para discutir, opinar e fortalecer ainda mais essa base, valorizando o homem, a mulher e o jovem do campo”, afirmou.
Ao longo da conferência, será construído um documento final com propostas que irão orientar políticas públicas voltadas aos povos do campo, das águas e das florestas, reforçando o papel estratégico da agricultura familiar no desenvolvimento sustentável da Bahia e do Brasil.
*Com informações da repórter Isabel Bomfim