25/06/2026
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Justiça Federal condena grupo que usava Porto de Salvador para tráfico internacional de cocaína

Seis réus receberam penas que ultrapassam 20 anos de prisão após operação que desarticulou esquema sofisticado com atuação em terminal portuário baiano

Redação: De olho na cidade
quinta-feira, 25 de junho de 2026 às 06:39
Imagem de Justiça Federal condena grupo que usava Porto de Salvador para tráfico internacional de cocaína
Foto: Ilustrativa / Jean Wagner/ SEI

A Justiça Federal sentenciou seis pessoas envolvidas em uma organização criminosa especializada no envio de drogas para o exterior, com base em operações realizadas no Porto de Salvador. As penas, segundo o Ministério Público Federal (MPF), chegam a mais de 20 anos de reclusão em regime fechado.

Os condenados foram investigados no âmbito da Operação Descontaminação, deflagrada pela Polícia Federal, que revelou um esquema estruturado para exportação de cocaína para países europeus, utilizando contêineres de cargas comerciais como meio de ocultação.

A denúncia, apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPF, foi acolhida pela 2ª Vara da Justiça Federal. O processo detalhou o funcionamento de uma rede criminosa que explorava brechas logísticas e operacionais do terminal portuário baiano.

Método sofisticado de ocultação

As investigações apontaram que o grupo utilizava a técnica conhecida como “rip-on/rip-off”, em que a droga é inserida em contêineres sem o conhecimento dos exportadores. O método é frequentemente usado por redes internacionais de tráfico para driblar fiscalizações em portos.

As cargas tinham como destino principal países como Holanda, Bélgica e Espanha, explorando o intenso fluxo de exportações no Porto de Salvador.

Para executar o esquema, os criminosos contavam com uma cadeia de atuação bem definida, incluindo acesso a informações internas, uso de veículos clonados e falsificação de lacres de segurança, além de apoio logístico dentro da própria estrutura portuária.

Infiltração e cooptação de profissionais

O MPF também identificou a participação de pessoas com acesso direto ao terminal, que auxiliavam na escolha de contêineres em áreas com menor vigilância. Veículos com identificação semelhante à de empresas autorizadas eram usados para facilitar a circulação no porto sem levantar suspeitas.

Outro ponto destacado na investigação foi a cooptação de trabalhadores do complexo portuário. Vigilantes teriam recebido propina para flexibilizar inspeções, enquanto técnicos de refrigeração eram usados para simular falhas em contêineres, criando justificativas para intervenções no local.

Após a inserção da droga, os lacres originais eram substituídos por versões falsificadas produzidas com precisão para manter a mesma numeração, dificultando a detecção da fraude.

Condenações e penas

As penas aplicadas variam de 12 anos e 3 meses até 20 anos, 8 meses e 7 dias de prisão, todas em regime fechado, de acordo com o grau de participação de cada réu no esquema.

Além da prisão, os condenados também foram sentenciados ao pagamento de multas e respondem por crimes como tráfico internacional de drogas, organização criminosa, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro e falsificação de documento público.

Segundo o MPF, os nomes dos réus não foram divulgados. A decisão ainda pode ser contestada por meio de recursos judiciais.

*Com informações g1 Bahia

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