Estudos indicam que poucos minutos de leitura já impactam o cérebro e ajudam na saúde mental
Um hábito simples e acessível pode trazer efeitos profundos para o cérebro: a leitura. Estudos científicos indicam que apenas seis minutos lendo um livro são suficientes para reduzir os níveis de estresse em até 68%, um índice superior ao de outras atividades relaxantes, como ouvir música ou caminhar.
A pesquisa foi conduzida pela Universidade de Sussex, no Reino Unido, e revelou que a leitura desacelera os batimentos cardíacos e alivia a tensão muscular, promovendo um estado de relaxamento semelhante ao de técnicas terapêuticas.
A neurologista Dra. Patricia Schettini explica que esse efeito ocorre porque o cérebro reduz a atividade em áreas diretamente ligadas ao estresse.
“A leitura funciona quase como um exercício de relaxamento para o cérebro. Quando a pessoa se envolve na história, há uma redução da atividade em áreas ligadas à resposta ao estresse, como a amídala cerebral”, destacou.
Segundo a especialista, o cérebro entra em um estado de atenção focada, o que ajuda a interromper pensamentos repetitivos e ansiosos.
“Ao mesmo tempo, o cérebro ativa redes importantes ligadas à imaginação e concentração. Isso diminui pensamentos repetitivos e ajuda a reduzir a tensão mental”, explicou.
De acordo com o estudo, a leitura pode ser mais eficaz do que outras práticas comuns de relaxamento. Os dados apontam que:
Os resultados reforçam o papel da leitura como uma ferramenta poderosa e de baixo custo para o bem-estar emocional.
Outro dado importante apontado por pesquisas na área de neurociência é que o cérebro não diferencia completamente experiências reais de experiências vividas por meio da leitura.
“Quando lemos histórias, o cérebro simula as experiências dos personagens. Isso ativa regiões importantes para entender emoções, como o córtex pré-frontal medial, além de envolver o sistema de neurônios-espelho, fazendo o leitor sentir a experiência do outro”, afirmou a neurologista.
Esse processo ajuda a desenvolver habilidades sociais e emocionais, como a empatia.
Além do relaxamento imediato, estudos indicam benefícios de longo prazo. Entre eles:
A neurologista destaca que diferentes tipos de leitura ativam áreas distintas do cérebro.
“A ficção costuma estimular mais áreas ligadas à imaginação e à empatia, porque acompanhamos emoções e conflitos dos personagens. Já a não ficção ativa circuitos de análise e aprendizado, como regiões do córtex”, pontuou.
“As duas são importantes, mas a ficção parece ter um efeito ainda maior no desenvolvimento da empatia e no relaxamento mental”, completou.
*Com informações da repórter Isabel Bomfim