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Leitura pode reduzir estresse em até 68% e fortalecer empatia, aponta pesquisa

Estudos indicam que poucos minutos de leitura já impactam o cérebro e ajudam na saúde mental

Redação:
sexta-feira, 24 de abril de 2026 às 11:07
Imagem de Leitura pode reduzir estresse em até 68% e fortalecer empatia, aponta pesquisa

Um hábito simples e acessível pode trazer efeitos profundos para o cérebro: a leitura. Estudos científicos indicam que apenas seis minutos lendo um livro são suficientes para reduzir os níveis de estresse em até 68%, um índice superior ao de outras atividades relaxantes, como ouvir música ou caminhar.

A pesquisa foi conduzida pela Universidade de Sussex, no Reino Unido, e revelou que a leitura desacelera os batimentos cardíacos e alivia a tensão muscular, promovendo um estado de relaxamento semelhante ao de técnicas terapêuticas.

A neurologista Dra. Patricia Schettini explica que esse efeito ocorre porque o cérebro reduz a atividade em áreas diretamente ligadas ao estresse.

“A leitura funciona quase como um exercício de relaxamento para o cérebro. Quando a pessoa se envolve na história, há uma redução da atividade em áreas ligadas à resposta ao estresse, como a amídala cerebral”, destacou.

Segundo a especialista, o cérebro entra em um estado de atenção focada, o que ajuda a interromper pensamentos repetitivos e ansiosos.

“Ao mesmo tempo, o cérebro ativa redes importantes ligadas à imaginação e concentração. Isso diminui pensamentos repetitivos e ajuda a reduzir a tensão mental”, explicou.

De acordo com o estudo, a leitura pode ser mais eficaz do que outras práticas comuns de relaxamento. Os dados apontam que:

  • Ler reduz o estresse em até 68%
  • Ouvir música reduz cerca de 61%
  • Tomar chá ou café reduz em torno de 54%
  • Caminhar reduz aproximadamente 42%
  • Jogar videogame reduz cerca de 21%

Os resultados reforçam o papel da leitura como uma ferramenta poderosa e de baixo custo para o bem-estar emocional.

Outro dado importante apontado por pesquisas na área de neurociência é que o cérebro não diferencia completamente experiências reais de experiências vividas por meio da leitura.

“Quando lemos histórias, o cérebro simula as experiências dos personagens. Isso ativa regiões importantes para entender emoções, como o córtex pré-frontal medial, além de envolver o sistema de neurônios-espelho, fazendo o leitor sentir a experiência do outro”, afirmou a neurologista.

Esse processo ajuda a desenvolver habilidades sociais e emocionais, como a empatia.

Além do relaxamento imediato, estudos indicam benefícios de longo prazo. Entre eles:

  • Leitores frequentes relatam maior sensação de conexão social
  • O hábito pode reduzir em até 35% o risco de declínio cognitivo e demência em idosos
  • A leitura estimula memória, atenção e capacidade de interpretação

A neurologista destaca que diferentes tipos de leitura ativam áreas distintas do cérebro.

“A ficção costuma estimular mais áreas ligadas à imaginação e à empatia, porque acompanhamos emoções e conflitos dos personagens. Já a não ficção ativa circuitos de análise e aprendizado, como regiões do córtex”, pontuou.

“As duas são importantes, mas a ficção parece ter um efeito ainda maior no desenvolvimento da empatia e no relaxamento mental”, completou.

*Com informações da repórter Isabel Bomfim

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