Kleber enfatizou que uma das pautas centrais é o reconhecimento global dos territórios indígenas
Durante participação em mais um painel na COP30, em Belém, o líder indígena Kleber Karipuna avaliou os ganhos que o encontro internacional tem trazido para os povos originários. Militante há 25 anos e coordenador executivo de uma das principais organizações indígenas do país, ele destacou que o movimento indígena brasileiro chegou ao evento preparado e com propostas concretas.
Kleber enfatizou que uma das pautas centrais é o reconhecimento global dos territórios indígenas e das comunidades locais.
“A importância do anúncio do compromisso territorial de 160 milhões de hectares é enorme e só do Brasil, são 59 milhões de hectares voltados para povos indígenas”, afirmou.
O líder indígena ressaltou que o governo brasileiro já apresentou sinais de avanço durante o evento.
“O governo do presidente Lula já demonstrou isso aqui na própria COP, com a portaria declaratória de dez terras indígenas e com a demarcação e homologação de quatro terras. É um anúncio concreto.”
Apesar das conquistas, ele reforça que ainda há um longo caminho pela frente. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, segundo ele, apresentou um estudo apontando 117 terras indígenas aptas para homologação.
“Temos que comemorar, sim, mas ainda é pouco diante do tamanho da demanda.”
Outro ponto destacado por Kleber é a necessidade de garantir que recursos internacionais cheguem diretamente aos territórios e às lideranças responsáveis por sua proteção.
“O debate sobre financiamento direto para povos indígenas e comunidades locais é fundamental. Precisamos que esses recursos cheguem na ponta, através dos nossos mecanismos de fundos, para fortalecer a gestão e a proteção dos territórios.”
Ele afirmou ainda que há avanços nesse tema na COP30, mas que o maior desafio virá após o fim do evento:
“Vamos ter um trabalho muito maior pós-COP, que é fazer com que esses compromissos assumidos saiam do papel.”
Kleber também destacou que nem todas as pautas avançaram como esperado. O debate sobre a transição energética justa, segundo ele, é um dos pontos que ainda exigem forte articulação.
“Ainda temos coisas para melhorar no texto dos compromissos, principalmente no debate da transição energética justa. A exploração de combustíveis fósseis precisa ser revista pelos países.”
Ele comparou o cenário regional e afirmou que alguns vizinhos estão mais adiantados:
“Entre os países da região, quem apresentou um plano mais consistente de transição foi a Colômbia. Estamos dialogando para que o governo brasileiro apresente seu plano também.”
Para o líder indígena, o Brasil precisa assumir metas mais claras que reduzam a dependência de combustíveis fósseis e ampliem o uso de matrizes renováveis:
“É preciso um compromisso real para que o país dependa cada vez menos de combustíveis fósseis e avance na energia limpa.”
Kleber acredita que já houve “ganhos significativos” na COP30, especialmente no reconhecimento territorial e nas discussões financeiras. Mas reforça que o encerramento da conferência marca apenas o início de uma nova etapa.
“Agora precisamos compilar todos os resultados e seguir no trabalho de implementar os compromissos assumidos. A COP acaba, mas a luta continua.”
*Com informações de Jorge Biancchi, direto da COP 30 em Belém