Rony também comentou a preocupação com novos projetos de exploração na Amazônia, como a possível exploração de petróleo na região do rio Amazonas
Durante a COP30, em Belém (PA), o coordenador indígena Rony, da comunidade do Rio Marauiá, fez um apelo por mais ações do governo brasileiro no combate ao garimpo ilegal e à invasão de territórios indígenas. Representando mais de 363 aldeias e uma população superior a 32 mil pessoas, Rony destacou que o garimpo continua trazendo destruição ambiental e doenças para as comunidades.
“Mesmo com o trabalho do governo para retirar os garimpeiros, eles ainda estão lá, escondidos, e o nosso povo continua morrendo por causa disso. O garimpo trouxe doenças como malária, diarreia com sangue, desnutrição e contaminou os rios que usamos para viver”, afirmou.
O coordenador explicou que, além do garimpo, pescadores e madeireiros também têm invadido o território Yanomami sem autorização, agravando a degradação ambiental.
“Tem pescadores e madeireiros entrando nas nossas terras, tirando madeira e peixe sem a autorização dos donos da terra. Recentemente, recebi informações de que o garimpo voltou para a minha região. Vim aqui na COP30 pedir apoio do governo federal para desentupir os igarapés e lagos onde o meu povo vive. Eles precisam viver em paz, ouvindo o canto da floresta, não o barulho das máquinas”, relatou.
Rony lembrou que a luta pela preservação do território Yanomami é antiga e que muitos líderes indígenas deram suas vidas na defesa da floresta e de seus povos. Ele citou o exemplo do líder Davi Kopenawa, uma das vozes mais importantes na demarcação da Terra Indígena Yanomami, que hoje possui mais de 9 milhões de hectares.
“Nossos pais e parentes derramaram sangue defendendo o território Yanomami. O grande Davi Kopenawa foi uma liderança fundamental para garantir nossa demarcação. Mas, mesmo depois de tantos anos, continuamos na mesma luta. O governo precisa reconhecer essas lutas antigas e agir para proteger o nosso povo”, destacou.
O coordenador também comentou a preocupação com novos projetos de exploração na Amazônia, como a possível exploração de petróleo na região do rio Amazonas, e defendeu políticas públicas efetivas de preservação ambiental e valorização dos povos originários.
“Muitas das nossas águas estão sendo contaminadas e as terras exploradas. É muito difícil as políticas públicas chegarem até nós. O que queremos é o direito de viver na nossa terra, com segurança e respeito à nossa história. A floresta é nossa casa, e nós somos parte dela”, disse.
Rony reforçou a importância da COP30 como espaço para dar voz aos povos indígenas e cobrar compromissos reais dos governos:
“Vim aqui representar o meu povo e pedir soluções. O Brasil precisa olhar com mais atenção para quem cuida da floresta há milhares de anos. Sem os povos indígenas, não existe preservação”, concluiu.
*Com informações de Jorge Biancchi, direto da COP 30 em Belém