A história do pastor evidencia que, segundo ele, fé, evangelização e projetos sociais podem ser instrumentos reais de transformação em comunidades vulneráveis
O pastor Evandro Filho compartilha sua trajetória de superação, transformação espiritual e atuação social em comunidades vulneráveis de Feira de Santana.
Ex-envolvido com o tráfico de drogas e assaltos, Evandro revelou que viveu intensamente no mundo do crime dos 13 aos 21 anos. Conhecido à época pelo apelido de “Cara de Osso”, ele explicou a origem do nome.
“Esse apelido chegou no momento em que eu usava muita cocaína. Eu emagreci muito, o rosto ficou muito magro. A cocaína engana, tira a fome, tira o apetite. Fiquei conhecido assim dentro do Aviário”, contou.
Durante a entrevista, o pastor não escondeu o passado no crime, mas fez questão de ressaltar que sempre soube que estava no caminho errado.
“Eu estava numa área que não era pra mim. Sabia que aquele não era meu lugar, mas entrei por más influências. Amizades influenciam muito, viu pai, viu mãe?”, alertou.
O momento decisivo para a mudança de vida aconteceu após ser atingido por 16 tiros, em uma situação que classifica como uma tentativa de execução.
“Eu tomei 16 tiros à queima-roupa e não morri. Quando eu caí no chão, senti a presença do Deus da minha avó. Minha avó dizia que na casa dela quem comandava era Jesus. Naquele momento, eu entendi que Deus estava me dando outra chance.”
Segundo ele, a partir daquele episódio, decidiu buscar transformação espiritual.
“Se a gente quer mudança, tem que buscar. Eu busquei e comecei a vencer.”
Hoje, aos 41 anos, ele completa duas décadas dedicadas à fé e à pregação.
Além da atuação religiosa, o pastor desenvolve ações de resgate a dependentes químicos e pessoas em situação de vulnerabilidade.
Ele afirma que o público mais atendido é justamente aquele que muitos evitam abraçar.
“Pra pegar uma pessoa jogada no chão, bêbada, e crer que ela tem jeito, tem que ter fé. Eu já levei pessoas pra dentro da minha casa pra no outro dia encaminhar pra um centro de recuperação.”
Evandro relata que o trabalho exige coragem e convicção.
“Quem já sofreu entende. Amor às almas vem em primeiro lugar.”
Durante a entrevista, o pastor apontou como principal desafio a falta de apoio financeiro e institucional para manter os projetos sociais e cruzadas evangelísticas.
“Nossa maior peleja é apoio, patrocínio. Sozinho a gente não consegue.”
Segundo ele, atualmente o único apoio direto vem do Bispo Bruno Leonardo.
“Ele viu nosso trabalho entrando nas favelas e disse que iria ajudar. Hoje ele está apoiando financeiramente as cruzadas.”
Evandro também falou sobre a música que ganhou repercussão nas redes sociais, o louvor “Salve o Coroa, Salve o Gerente”. A canção surgiu de forma espontânea durante uma pregação em Salvador.
“Um rapaz chegou e disse: ‘Pastor, ali tá o coroa e o gerente, ele pediu um hino’. Na hora eu pensei: ‘O que eu vou fazer agora?’”
A resposta veio em forma de improviso.
“Eu comecei a cantar: ‘Jesus vai salvar o coroa e vai salvar o gerente’. E do nada o coroa começou a se balançar e dizer ‘graças a Deus’.”
Para o pastor, a repercussão não representa fama, mas oportunidade de alcançar mais vidas.
“Eu não busco fama. O propósito é ganhar almas. O dinheiro não é mais importante que isso.”
Com quase meio milhão de seguidores nas redes sociais, Evandro afirma que o público o acompanha pela simplicidade e pelo trabalho realizado nas comunidades.
O pastor reforçou a mensagem de esperança para jovens que vivem situação semelhante à que ele enfrentou.
“O mundo do crime parece atraente no começo, mas o final é morte. Jesus é o caminho, a verdade e a vida. Tem saída, sim.”