A ministra ressaltou que as mudanças climáticas extremas são uma realidade no Brasil e que as ações precisam ser imediatas.
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, avaliou como positiva a evolução das discussões durante os primeiros dias da COP30, realizada em Belém (PA). Em entrevista à Jorge Biancchi, a ministra destacou que o Brasil tem exercido papel de liderança nas negociações e que o evento está avançando em temas fundamentais, como financiamento climático, adaptação das cidades e proteção de populações vulneráveis.
“Estamos avançando desde a aprovação da agenda, o que normalmente leva uma semana, mas conseguimos em algumas horas. Já é o terceiro dia da COP30 e estamos discutindo temas como o financiamento para ajudar países e regiões mais vulneráveis e como adaptar as cidades que já vivem os efeitos das mudanças climáticas”, afirmou Marina Silva.
A ministra ressaltou que as mudanças climáticas extremas são uma realidade no Brasil e que as ações precisam ser imediatas.
“A nossa perspectiva é demonstrar que os eventos climáticos extremos já são uma realidade, como aconteceu agora no Paraná. É preciso tomar medidas urgentes para fazer esse enfrentamento”, destacou.
Marina também lembrou que mulheres, crianças e idosos estão entre os grupos mais afetados pelos desastres climáticos e que políticas públicas devem considerar essa vulnerabilidade.
“Estamos discutindo como ajudar as mulheres, que são as mais afetadas em situações de eventos climáticos. Precisamos garantir condições de vida digna e sossegada para toda a população”, completou.
Ao explicar o significado e a importância da conferência, a ministra fez questão de aproximar o tema da realidade da população.
“Às vezes as pessoas não entendem o que é uma COP. É um encontro de 198 países que se reúnem para decidir o que fazer para evitar que sua cidade seja destruída por um tornado, alagada ou incendiada. Enfrentar a mudança do clima é reduzir os gases poluentes vindos do carvão, petróleo, gás e desmatamento”, explicou.
Sobre a polêmica da exploração de petróleo na Foz do Amazonas, Marina Silva afirmou que o governo está comprometido em buscar um equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e a proteção ambiental.
“Nós temos o desafio colocado pelo presidente Lula de construir o mapa do caminho para sair da dependência dos combustíveis fósseis. O que vai acontecer agora é apenas uma pesquisa, não a exploração econômica. Serão feitos estudos para garantir que a área não sofra nenhum impacto irreversível”, esclareceu.
A ministra destacou ainda que o futuro da Petrobras deve estar ligado à transição energética, investindo em fontes renováveis e limpas.
“O presidente Lula já disse que a Petrobras deve deixar de ser apenas uma empresa de exploração de petróleo para se transformar em uma empresa de produção de energia, investindo em biodiesel, etanol, energia do vento, do sol e até em hidrogênio verde”, concluiu.
*Com informações de Jorge Biancchi, direto da COP 30 em Belém