Profissional explica como o acompanhamento humanizado ajuda mulheres a enfrentarem medos, inseguranças e a se prepararem para a chegada do bebê
No Dia das Mães, a doula Edna Andrade trouxe uma reflexão sobre os desafios da maternidade e o processo de construção da identidade materna. Durante entrevista ao programa De Olho na Cidade da Rádio Sociedade News, ela destacou que a mulher não nasce pronta para ser mãe, mas aprende e se transforma junto com o nascimento do filho.
Segundo Edna, o papel da doula é oferecer acolhimento e suporte integral à gestante, ajudando a mulher a viver a gravidez e o parto com mais segurança e confiança.
“O papel da doula é basicamente trazer para esta mulher um acompanhamento um para um, um acolhimento para que ela se sinta segura, protegida e veja que realmente tem uma pessoa ali do seu lado, dando suporte emocional, físico e informativo”, explicou.
Ao abordar o tema “mãe não nasce pronta, nasce junto com o filho”, Edna afirmou que ainda existe o mito de que a maternidade acontece de forma puramente instintiva, mas ressaltou que cada experiência é única.
“Muitos acham que ser mãe é instintivo, mas não é bem assim. Cada mãe, cada parto e cada gestação são únicos. A mãe nasce a partir daquele momento em que está gestando e parindo”, afirmou.
A doula relatou que acompanha de perto esse processo de transformação das mulheres durante a gestação e o parto.
“Cada contração é um desafio, cada contração é um nascimento dela. Quando o bebê nasce, nascem também os medos, as inseguranças, mas também o amor e a fortaleza. A mulher se sente muito forte depois que tem o bebê”, disse.
Ela ainda destacou que a maternidade se renova a cada filho.
“A gente acha que ser mãe uma vez é ser mãe para sempre. Mas não. Cada filho nasce uma mãe junto”, acrescentou.
De acordo com Edna, o trabalho da doula também ajuda mães, especialmente as de primeira viagem, a enfrentarem medos relacionados ao parto, à amamentação e aos cuidados iniciais com o bebê.
“A gente leva para ela essa informação ainda durante a gestação, explicando sobre o parto, amamentação, cuidados com o bebê, como trocar uma fralda, limpar um umbigo e posicionar o bebê para amamentar”, explicou.
Ela ressaltou que o conhecimento reduz a insegurança.
“A partir do momento que ela conhece o que está acontecendo com o corpo dela, esse medo já vai diminuindo”, afirmou.
Segundo a profissional, o acompanhamento pode começar desde o início da gravidez.
“Assim que a gestante tem o resultado positivo, ela já pode procurar uma doula para ser orientada sobre a equipe e os caminhos que pode seguir durante a gestação”, pontuou.
Edna também comentou sobre os avanços recentes no reconhecimento do trabalho das doulas no Brasil, destacando a sanção da lei que garante o acesso dessas profissionais às maternidades.
“No dia 8 de abril foi sancionada a lei das doulas e hoje temos esse marco importante para as mulheres e para as doulas, podendo atuar nas maternidades, tanto particulares quanto públicas, com livre acesso”, destacou.
Apesar dos avanços, ela reconhece que ainda existem resistências.
“A lei está muito recente, mas acredito que logo estaremos atuando livremente”, avaliou.
A doula explicou ainda que, embora muitas mulheres procurem esse acompanhamento pensando no parto normal, o suporte também pode acontecer em casos de cesariana.
“A doula vai mais além. Ela também ajuda, traz informação sobre a cesariana e pode atuar nesse processo”, explicou.
Conselho para futuras mães
Ao deixar uma mensagem para mulheres que sonham em ser mães, Edna incentivou que elas procurem apoio e enfrentem os desafios com confiança.
“O conselho que eu dou é que você vá em frente, que você vai conseguir. Procure profissionais que te apoiem e, com certeza, vai dar tudo certo”, concluiu.