Psicóloga e oftalmologista compartilham experiências e orientações sobre como equilibrar múltiplos papéis sem se perder emocionalmente
A rotina de mulheres que conciliam maternidade, carreira e empreendedorismo esteve no centro do quadro Saúde Mental em Pauta, que abordou o tema “Mãe e Empreendedora: como cuidar da saúde mental sem se perder no meio de tudo?”. A psicóloga e neuropsicóloga Olivia Magalhães e a médica oftalmologista Bruna Pivatto discutiram os desafios e estratégias para lidar com a sobrecarga emocional.
Olivia destacou a relevância do tema, especialmente no mês dedicado às mães. “É uma vida corrida que nós levamos, e muitas vezes tentamos dar conta de tudo ao mesmo tempo”, afirmou.
Durante a conversa, Bruna Pivatto compartilhou sua experiência pessoal como mãe de gêmeas prematuras, revelando o momento em que percebeu a necessidade de cuidar da própria saúde mental.
"Quando você tem a experiência de ser mãe, ainda mais da forma que eu fui, você acaba abrindo mão de muita coisa e esquece de você. Isso começou a pesar por volta dos 11 meses das minhas meninas, quando percebi que estava tudo muito difícil para coordenar sozinha”, relatou.
Segundo ela, o apoio psicológico foi essencial para reorganizar a rotina e lidar com as demandas. “Hoje eu tenho apoio psicológico para equilibrar esses ‘pratinhos’ que a gente precisa sustentar”, disse.
Um dos pontos centrais do debate foi o sentimento de culpa, comum entre mães que acumulam funções. Olivia ressaltou que nem sempre é possível dar conta de tudo.
“Nem tudo a gente vai conseguir dar conta, e está tudo bem. O importante é reconhecer isso e buscar equilíbrio”, pontuou.
Bruna explicou como aprendeu a diferenciar uma cobrança saudável da sobrecarga emocional.
“Hoje eu trabalho com o que é possível. Eu não fico me culpando pelo que não consegui fazer. Faço o que está ao meu alcance como mãe”, afirmou.
Ela ainda destacou a importância de mostrar aos filhos o valor da realização profissional. “Elas entendem que meu trabalho é importante e que isso também me faz feliz.”
A oftalmologista também chamou atenção para sinais que indicam negligência com a saúde mental.
“O que mais me chamou atenção foi a falta de paciência. Eu chegava em casa e rapidamente já estava irritada, querendo tudo perfeito. Isso não era normal e me fez buscar ajuda”, contou.
Com o acompanhamento terapêutico, Bruna afirma que conseguiu ressignificar situações que antes geravam culpa.
“Hoje eu entendo que não estarei presente 100% do tempo, e tudo bem. Isso também ensina as crianças a lidarem com frustrações.”
Na prática, Bruna revelou que adota uma abordagem flexível no dia a dia.
“Eu tento equilibrar o prato que está mais fácil de cair. Se naquele dia o trabalho exige mais, eu priorizo isso. Se é a maternidade, faço o mesmo. E parei de me cobrar tanto”, explicou.
Outro recurso importante citado foi o uso de atividades manuais como forma de autocuidado. A médica contou que encontrou na cerâmica uma aliada emocional.
“A cerâmica ensina que a gente não domina tudo. Você faz tudo certo e, ainda assim, pode dar errado. Isso me ajudou a trabalhar a frustração”, disse.
Bruna deixou um recado direto para mães que se sentem sobrecarregadas:
“Você não vai dar conta de tudo sozinha, e precisa aceitar isso. Com ajuda psicológica, fica muito mais fácil enxergar outras perspectivas.”
Olivia reforçou a importância do autocuidado e da busca por alternativas acessíveis no dia a dia.
“Às vezes, o que você tem em mãos é um livro, uma oração ou um momento de pausa. Saúde mental também é isso: cuidar de si dentro da sua realidade”, destacou.
As especialistas também lembraram que empreender não se limita ao ambiente profissional. “Cuidar da casa e da família também é uma forma de empreender”, concluiu Olivia.