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De Olho na Cidade
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“Memória do Vaqueiro é parte essencial da identidade histórica de Feira de Santana”, afirma historiador

O vaqueiro surgiu como figura central no processo de ocupação do interior baiano.

Por Rafa
quarta-feira, 01 de outubro de 2025

Durante entrevista ao programa Jornal do Meio Dia, da série “Feira de Santana e sua história – Rumo aos 200 anos”, o professor e historiador Artur Vitor de Araújo Santana, docente da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), destacou a importância do vaqueiro na formação econômica, social e cultural do município.

Graduado em Licenciatura em História, pela UEFS. Mestre em História Social da Cultura, pela UFRPE. Doutor em Teoria e História Literária, pela UNICAMP e professor de História do Brasil (UEFS), Artur Vitor explicou que o vaqueiro surgiu como figura central no processo de ocupação do interior baiano.

“O vaqueiro surge principalmente nas primeiras fases de colonização como responsável por expandir o território, levando o gado cada vez mais para o interior. Enquanto o litoral era voltado à produção de açúcar, o vaqueiro movimentava a economia do pastoreio, que deu origem à cidade de Feira de Santana”, explicou.

Segundo o historiador, a figura do vaqueiro é um símbolo forte da memória cultural e coletiva da cidade.

“Ele se caracteriza como símbolo de resistência, mas também de civilidade, contribuindo para estabelecer a identidade de Feira de Santana como cidade do sertão e do comércio”, afirmou.

Para Artur Vitor, o vaqueiro deve ser reconhecido como um dos principais símbolos identitários de Feira de Santana.

“Com o passar do tempo, o vaqueiro passou a ser lembrado como uma figura do passado que Feira de Santana, em alguns momentos, tentou se desvencilhar. Mas há um movimento de retomada dessa identidade, especialmente por parte de intelectuais e instituições.

O professor destacou que a Casa do Sertão, mantida pela UEFS, tem papel fundamental na preservação dessa herança cultural.

“A Casa do Sertão atua como um espaço de memória, guardando e reinterpretando o papel histórico do vaqueiro, não apenas no passado, mas também como símbolo para pensar a cidade de hoje”, ressaltou.

Apesar de suas origens históricas, Artur Vitor lembra que a cultura do vaqueiro não ficou parada no tempo.

“A cultura não é fixa, ela se reinventa. Hoje, vemos o crescimento das cavalgadas e montarias como uma retomada simbólica dessa identidade, que agora está mais ligada à cultura e ao lazer do campo do que ao ofício em si”, explicou.

O historiador também destacou que o ofício do vaqueiro foi reconhecido como patrimônio imaterial da Bahia, o que reforça sua relevância cultural para o estado.

“O vaqueiro, enquanto ofício e símbolo, carrega em si a representação do que é ser baiano e, em grande medida, do que é ser brasileiro. Esse reconhecimento precisa ser celebrado e mantido vivo através de ações culturais e educativas”, pontuou.

Questionado sobre como fortalecer a preservação da história do vaqueiro, o professor defendeu o diálogo com quem ainda vive essa realidade no campo.

“É preciso ouvir as pessoas que continuam atuando com o gado, entender suas demandas e garantir que o reconhecimento do ofício seja efetivo, inclusive com políticas de proteção ao trabalhador. Além disso, exposições, arquivos e ações culturais são fundamentais para manter viva essa memória”, concluiu.

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