Atividades como palestras, oficinas, apresentações culturais e rodas de conversa destacaram a importância da Língua Brasileira de Sinais (Libras) como ferramenta essencial de inclusão.
O Centro de Educação Inclusiva de Feira de Santana preparou uma programação especial para marcar o Setembro Surdo, mês dedicado à valorização da cultura, da identidade e dos direitos das pessoas surdas. Atividades como palestras, oficinas, apresentações culturais e rodas de conversa destacaram a importância da Língua Brasileira de Sinais (Libras) como ferramenta essencial de inclusão.
A professora de Libras, Aglaia Muritiba, destacou o sentido do mês.

“O mês de luta é o mês de reconhecimento da pessoa surda. É um período para reforçar os direitos e o acesso à educação de qualidade, inclusive à língua portuguesa, além da valorização da Libras. É uma luta que todos devem abraçar conosco”, afirmou.
A mudança da nomenclatura de “setembro azul” para “setembro surdo” também foi destacada pela coordenadora do Núcleo de Surdez, Meiry Pires.

“Antes, a cor azul remetia a algo relacionado à doença, como vemos em outros meses de prevenção. Mas a surdez não é doença, é identidade, é cultura, é uma língua. Por isso falamos hoje em setembro surdo, como uma luta de conquistas e de reconhecimento da comunidade surda”, explicou.
Segundo Meiry, o centro atende atualmente cerca de 30 a 40 pessoas surdas em Feira de Santana e promoveu uma extensa programação em setembro.
“Tivemos coral em Libras, oficinas, apresentações culturais e o envolvimento de intérpretes e familiares. Foi um momento rico de troca e aprendizado”, disse.
A experiência de famílias atendidas pelo centro confirma o impacto das ações. Adriana Luz, mãe de Davi, relatou o processo de adaptação do filho, que nasceu surdo e enfrentou diversos desafios até encontrar na Libras um caminho de inclusão.
“Quando descobrimos a surdez de Davi, tentamos aparelhos auditivos e até o implante coclear, mas não houve resultado. Depois de muito esforço, aos 8 anos ele começou a usar Libras e foi um mundo novo. Aqui no centro ele teve contato com outras pessoas surdas, passou a se adaptar melhor e aceitou a língua de sinais”, contou.

Para ela, a Libras transformou a relação familiar.
“Antes eu chegava na escola e via meu filho triste, mas não conseguia entender o motivo. Hoje conseguimos nos comunicar, ele me conta como se sente, e isso trouxe felicidade para todos nós. O centro inclusivo foi o ponto chave nesse processo”, afirmou emocionada.
*Com informações do repórter Rafael Marques