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Meu Bairro em Pauta: Moradora relembra dificuldades e mudanças na antiga Baraúnas

Moradora relembra rotina sem água e luz, medos do passado e destaca mudanças ao longo de décadas em Feira de Santana

Por Victória Silva
segunda-feira, 11 de maio de 2026 às 21:43
Senhora de pele negra, cabelo grisalho, usa brincos de argola, uma camiseta com flores azuis e brancas estampadas, está sorrindo
Foto: JP Miranda

A série “Meu Bairro em Pauta”, exibida no programa Cidade em Pauta, da Rádio Nordeste FM, resgata nesta edição a história do bairro Baraúnas, em Feira de Santana. Localizado na região norte da cidade, dentro do Anel de Contorno, o bairro tem cerca de 80 anos de existência e carrega uma origem ligada à antiga atividade pecuária da região.

O nome Baraúnas vem das árvores que existiam em abundância no local, hoje praticamente inexistentes, mas que marcaram a identidade da área desde sua formação.

A moradora Daura Ferreira Gomes, conhecida como Dona Du, relembra como era a vida no bairro em seus primeiros anos, quando ainda não havia infraestrutura básica.

“A gente ia pegar água lá perto, numa cisterna. Não tinha água aqui não. Depois botaram um chafariz e a gente passou a pegar água lá”, contou.

Além da falta de água encanada, a energia elétrica também demorou a chegar à comunidade, obrigando os moradores a viverem em condições bastante simples.

“Não tinha luz não, foi muito tempo sem energia. Quem ajudou a trazer foi Jorge Mascarenhas”, relatou.

Segundo ela, o deslocamento também era difícil, e muitas famílias chegaram ao bairro carregando seus pertences de forma improvisada.

“A gente veio do Alto do Cruzeiro carregando coisas na cabeça, em carroça, era tudo muito difícil”, lembrou.

Dona Du também destaca a atuação de figuras políticas e comunitárias que contribuíram para melhorias no bairro, como a distribuição de pão em domicílio em uma época de poucas opções de comércio.

“Ele vinha de Brasília e entregava pão nas casas de manhã cedo. Isso ajudou muito a comunidade”, disse.

Apesar das dificuldades, a moradora também relembra os medos que existiam no passado, ligados à falta de urbanização e ao imaginário popular da época.

“Eu tinha medo de passar aqui por causa de histórias de lobisomem na árvore grande que tinha ali. Diziam que tinha bicho, essas coisas”, contou, rindo.

Ela também recorda atividades econômicas antigas da região, como os chamados “magarefes”, trabalhadores ligados ao corte de carne em charqueadas, que faziam parte da realidade local.

“Tinha muito magarefe, gente que trabalhava cortando carne. Era uma vida diferente”, explicou.

Ao longo do tempo, Dona Du afirma que o bairro passou por uma grande transformação, deixando para trás as dificuldades do passado e se consolidando como uma área urbana em crescimento.

“Depois tudo foi melhorando. Hoje é totalmente diferente do que era antes”, concluiu.

*Com informações do repórter JP Miranda

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