13/04/2026
...
De Olho na Cidade
InícioBrasil
Brasil3 min de leitura

Morre Jards Macalé, ícone da vanguarda, aos 82 anos

Compositor de ‘Vapor Barato’, artista morreu após parada cardíaca no Rio

Por Rafa
segunda-feira, 17 de novembro de 2025
Foto: André Seiti
Foto: Foto: André Seiti

Jards Macalé, um dos nomes mais inquietos e revolucionários da música brasileira, morreu nesta segunda-feira (17), aos 82 anos, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pelas redes sociais do artista. Internado na Barra da Tijuca para tratar um enfisema pulmonar, ele sofreu uma parada cardíaca pela manhã e não resistiu.

No comunicado, a equipe do músico destacou sua vitalidade e espírito irreverente até os últimos instantes: “Jards Macalé nos deixou hoje. Chegou a acordar de uma cirurgia cantando ‘Meu Nome é Gal’, com toda a energia e bom humor que sempre teve. Cante, cante, cante. É assim que sempre lembraremos do nosso mestre, professor e farol de liberdade”. A nota afirma ainda que informações sobre o funeral serão divulgadas em breve.

Uma trajetória guiada pela liberdade

Nascido na Tijuca, Macalé cresceu entre universos musicais que mais tarde moldariam sua sonoridade singular: o samba do Morro da Formiga e a música erudita presente em casa. Estudou com mestres como Guerra Peixe e Turíbio Santos, antes de se lançar definitivamente na cena artística dos anos 1960.

Foi nesse período que se aproximou de Vinícius de Moraes e Maria Bethânia, com quem atuou como diretor musical, e trilhou o caminho que o levaria a se tornar um dos principais nomes da contracultura brasileira. Em 1969, sua participação no Festival Internacional da Canção com “Gotham City”, parceria com Capinam, deu projeção nacional ao seu estilo provocador e inclassificável.

Obra multifacetada

Inovador por natureza, Macalé navegou entre gêneros, linguagens e parcerias. Compôs trilhas para cineastas como Nelson Pereira dos Santos, Joaquim Pedro de Andrade e Glauber Rocha, e firmou diálogos profundos com poetas da vanguarda como Waly Salomão e Torquato Neto.

Autor do clássico “Vapor Barato”, consolidou também uma relação marcante com Caetano Veloso, foi violonista e produtor de “Transa”, um dos trabalhos mais celebrados do baiano.

Ao longo das décadas, transitou com naturalidade por samba, rock, música contemporânea e poesia marginal, sempre guiado por uma postura artística que rejeitava rótulos e buscava a experimentação. Sua produção seguiu intensa até recentemente, colecionando prêmios, colaborações e o reconhecimento de novas gerações.

Compartilhar:

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nosso Termos de Uso.