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4 min de leitura

Morte de gatos no campus da Uefs gera indignação de moradores da residência universitária

Universidade lamenta episódio e diz que ataque de cães foi uma fatalidade

Redação:
segunda-feira, 30 de março de 2026 às 16:01
Fotos: Divulgação - SMS
Fotos: Divulgação - SMS

A morte de cerca de 12 gatos no campus da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), na madrugada do último sábado (28), gerou repercussão entre estudantes e moradores da residência universitária. O episódio ocorreu no espaço destinado ao isolamento de animais em tratamento e motivou uma nota de repúdio divulgada pelos residentes, além de um posicionamento oficial da administração central da instituição.

Segundo a Administração Central da universidade e o Núcleo de Atenção aos Animais no Campus (NAAC), cerca de 15 gatos estavam provisoriamente acomodados no local, devido a intervenções estruturais em andamento. Os animais estavam em gaiolas de ferro revestidas com telas e recebiam cuidados diários da equipe responsável.

De acordo com a universidade, por volta das 4h da manhã uma matilha de cães conseguiu acessar a área reservada e danificar as proteções existentes, resultando na morte de parte dos gatos que estavam no espaço de isolamento. Os animais sobreviventes estão sendo assistidos pela equipe do núcleo veterinário.

Em nota, a instituição afirmou lamentar profundamente o ocorrido e classificou o caso como uma fatalidade.

“A Universidade lamenta profundamente o ocorrido e se solidariza com todos os envolvidos no cuidado com os animais do campus, ressaltando tratar-se de uma fatalidade, oriunda de fatores exógenos e sem identificação de responsabilidade direta”, informou a administração.

Estudantes criticam negligência e cobram medidas

Moradores da residência universitária divulgaram uma nota pública manifestando indignação com o episódio e questionando a condução do cuidado com os animais dentro do campus.

No documento, os estudantes afirmam que a situação não deve ser tratada como um fato isolado. “Trata-se de uma situação grave, marcada por negligência e ausência de ações efetivas. A cena encontrada evidencia a falta de proteção, de controle de acesso e de compromisso com a vida dentro do campus”, diz um trecho da nota.

Os residentes também apontam problemas estruturais e cobram maior prioridade institucional para o tema. Segundo eles, a forma como a administração conduz os cuidados com os espaços e com os animais seguiria um padrão marcado por “precarização, demora nas respostas e naturalização de situações de risco”.

Na manifestação, os estudantes responsabilizam a administração da universidade e também o poder público municipal pela ausência de políticas estruturais de proteção animal. “Não há como dissociar esse episódio de um problema estrutural mais amplo, marcado pela combinação entre descaso institucional e omissão do poder público”, afirmam.

População de animais no campus

A presença de animais no campus da Uefs é uma realidade consolidada. Estima-se que circulem entre 150 e 200 cães e gatos pelas dependências da universidade.

Para lidar com essa população, o NAAC atua no manejo e acompanhamento dos animais, realizando vacinação, tratamento veterinário e controle populacional. Atualmente, o núcleo acompanha cerca de 80 animais e conta com uma equipe formada por duas médicas veterinárias e quatro tratadores, que atuam em regime de revezamento para garantir assistência inclusive aos finais de semana e feriados.

Entre as ações desenvolvidas estão campanhas de vacinação, controle de zoonoses e programas de castração realizados em parceria com instituições de ensino, além do tratamento de doenças como a esporotricose, que pode ser transmitida de gatos para humanos.

Foto: Bernardo Bezerra

Desafios e abandono de animais

Apesar das ações, a universidade enfrenta dificuldades para controlar a superpopulação de animais no campus. Segundo a equipe técnica, o abandono de cães e gatos nas dependências da instituição é um dos principais desafios enfrentados.

De acordo com a administração do campus, abandonar animais é crime previsto em lei. A universidade também afirma que não possui estrutura para absorver toda a demanda do município e pede apoio da comunidade para evitar novos abandonos.

Especialistas também alertam que a superpopulação de animais pode gerar impactos sanitários e ambientais, além de afetar espécies da fauna local. Por isso, a instituição pretende ampliar campanhas de adoção responsável, buscando reduzir o número de animais vivendo no campus e melhorar as condições de cuidado para aqueles que permanecem.

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