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De Olho na Cidade
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COP 303 min de leitura

Movimento global pressiona por transição alimentar e tenta conquistar cidades baianas

Projeto internacional ajuda cidades a enfrentarem a crise climática a partir dos sistemas alimentares

Por Rafa
segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Direto de Belém do Pará, a cobertura especial da COP30 trouxe uma conversa com Larissa Carreira da Cunha e Leandro Ferraz, representantes da iniciativa Plant Based Treaty, um movimento internacional que propõe ações concretas para enfrentar a crise climática por meio da transição dos sistemas alimentares.

O Plant Based Treaty, já apoiado por 54 cidades no mundo, incluindo Los Angeles (EUA) e Edimburgo (Escócia), busca expandir sua atuação no Brasil, onde apenas Nova Lima (MG) e Florianópolis (SC) aderiram oficialmente.

Larissa explica que o projeto atua estimulando políticas públicas baseadas em alimentação vegetal.

“Traduzindo significa tratado à base de plantas. É um projeto internacional onde a gente ajuda cidades a enfrentarem a crise climática a partir dos sistemas alimentares, promovendo uma alimentação baseada em plantas”, descreveu.

Ela revelou que Belém pode se tornar a próxima cidade a aderir ao tratado.

“Vou dar um spoiler: estamos em negociações. Hoje falei com o prefeito e ele disse que vamos concretizar. Será muito simbólico que Belém, sede da COP30, faça parte desse acordo”, afirmou.

Larissa também fez um convite direto a prefeituras baianas: “Gostaria de convidar as cidades da Bahia que queiram ter um posicionamento público em prol da sustentabilidade e da crise climática. Podemos apoiar, mostrar caminhos e construir soluções locais para desafios globais.”

A adesão é simples e gratuita.

“A cidade pode assinar pelo site plantbasedtreaty.org ou entrar em contato pelo nosso Instagram. Damos todo o apoio às cidades”, explicou Larissa.

Leandro destacou que a crise climática exige ações complementares às energéticas.

“Temos 57 cidades no mundo que assinaram e 250 mil pessoas apoiando. É uma pressão de baixo para cima. A transição energética não é suficiente, precisamos da transição alimentar também”, afirmou.

Ele explica que a adesão pode envolver desde hortas urbanas até cardápios vegetais em escolas e hospitais.

“Trabalhamos com 40 iniciativas que apoiam municípios: hortas urbanas, redução de desertos alimentares, incentivo a pequenos agricultores, demarcação de áreas verdes, e alternativas vegetais em equipamentos públicos.”

Leandro aproveitou para esclarecer dúvidas comuns sobre proteínas: “Um prato com arroz, feijão e vegetais já fornece proteína completa. Às vezes a pessoa acha que sem carne não come proteína, mas isso não é verdade”, destacou.

Ele citou cinco leguminosas que substituem carne, peixe e queijo: “Feijão, lentilha, ervilha, grão-de-bico e soja. A proteína de soja texturizada, por exemplo, é mais barata e mais rica em proteína que a carne.”

Leandro revelou que negociações estão em andamento com três municípios brasileiros durante a COP30 e reforçou o interesse em incluir a Bahia.

“Ainda não temos nenhum município baiano. Seria muito importante ter um representante da Bahia no tratado global.”

*Com informações de Jorge Biancchi, direto da COP 30 em Belém

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