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3 min de leitura

“Não é só agressão física”: Advogada detalha formas ocultas de violência contra a mulher

Do controle ao isolamento: como identificar sinais de abuso em relacionamentos

Redação:
domingo, 08 de março de 2026 às 18:00
Imagem de “Não é só agressão física”: Advogada detalha formas ocultas de violência contra a mulher

A violência contra a mulher segue sendo um dos temas mais debatidos pela sociedade, mas ainda cercado de dúvidas, silêncio e medo. No quadro Direito em Pauta, a advogada Dra. Camila Machado destacou que o problema vai muito além da agressão física e alertou para formas mais silenciosas, como o abuso emocional e o financeiro.

“A gente pensa que as coisas estão melhorando, mas cada dia surgem novos casos. Isso preocupa a sociedade e, principalmente, as famílias”, pontuou o apresentador.

Dra. Camila explicou que grande parte das vítimas não identifica, inicialmente, que vive um relacionamento abusivo.

“Muitas clientes chegam ao escritório sem acreditar que estão vivenciando um abuso emocional. Como ele é mais sutil, discreto, e existe um vínculo afetivo, a mulher não percebe que está sendo vítima”, afirmou.

Segundo a advogada, o abuso emocional pode se manifestar por meio de controle excessivo, humilhações e isolamento social.

“É aquele companheiro que quer supervisionar o celular, que limita amizades, que afasta da família. Ou ainda aquele que diz: ‘você é louca’, ‘ninguém vai te querer’, ‘você não vai chegar a lugar nenhum’. Essas palavras vão minando a autoestima da mulher”, explicou.

Ela relatou casos em que a vítima desenvolveu depressão e ansiedade após anos de ataques constantes.

“O agressor tenta colocar a mulher em um estado de descontrole emocional. Já tive cliente que acreditava ter depressão hereditária, mas ao analisar as mensagens do companheiro, ficou claro que ela sofria abuso emocional”, destacou.

Outra forma de violência destacada foi o abuso financeiro. De acordo com Dra. Camila, impedir a mulher de ter autonomia sobre o próprio dinheiro ou usar recursos financeiros como chantagem também configura violência.

“Já acompanhei caso em que o marido pagou uma cirurgia da esposa e, depois, usou isso como forma de ameaça: ‘Se você se separar, vai passar fome’. Isso é abuso financeiro. É usar o dinheiro para controlar e intimidar”, explicou.

Do ponto de vista jurídico, a advogada reforçou que a Lei Maria da Penha ampara a mulher em casos de violência física, psicológica, moral, patrimonial e sexual.

“A mulher pode procurar a Delegacia da Mulher, registrar a ocorrência e solicitar medida protetiva de afastamento do agressor. Além disso, ele pode responder criminalmente e a vítima pode pleitear indenização por danos morais e materiais”, orientou.

Ela também destacou que há possibilidade de pedido de sigilo de endereço e outras medidas de segurança, dependendo da gravidade do caso.

Questionada sobre o medo e a vergonha que ainda impedem muitas mulheres de denunciar, Dra. Camila foi enfática:

“Eu falo não só como advogada, mas como mulher: é preciso se valorizar. Se você está vivendo uma relação abusiva, acredite em você. Deus quer o melhor para sua vida. Como ser feliz sob constante pressão?”

Ela alertou que, em situações de risco elevado, pode ser necessário até mudar de cidade.

“É melhor você dar um basta hoje do que se tornar apenas mais um caso de feminicídio. A gente não sabe do que o outro é capaz. Aparências enganam”, afirmou.

Para a advogada, a prevenção passa, sobretudo, pela educação desde a infância.

“As instituições de ensino precisam reforçar o respeito aos limites. Mas a família tem papel fundamental. É dentro de casa que se ensina que ‘não é não’, que o corpo é da própria pessoa, que ninguém pode tocar sem consentimento”, defendeu.

Ela relatou que orienta as próprias filhas desde pequenas sobre respeito ao corpo e limites.

“A valorização começa cedo. Ensinar a criança que ela pode dizer ‘não’ é essencial para formar adultos que respeitem”, concluiu.

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