Atualmente, cerca de 50 a 60 pessoas são atendidas pelo serviço existente na cidade, enquanto a fila de espera pode ultrapassar 200 pacientes.
A Câmara Municipal de Feira de Santana aprovou, por unanimidade, o Projeto de Lei nº 37/2026, que institui o Programa Municipal de Equoterapia. A proposta, de autoria do vereador Silvio Dias, foi votada em segunda e última discussão e agora segue para sanção do prefeito.
O objetivo é ampliar o acesso ao tratamento terapêutico com cavalos, especialmente para pessoas com deficiência física, intelectual, múltipla e com transtornos do desenvolvimento, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Durante entrevista ao De Olho na Cidade, o vereador destacou que a iniciativa surge diante da alta demanda pelo serviço, que atualmente é ofertado de forma limitada na cidade.

“Hoje nós temos em Feira de Santana um serviço prestado pela Polícia Militar, através da Cavalaria, junto com entidades como a APAE. Só que a demanda é muito grande. Existe uma fila de espera imensa e, de fato, a Polícia Militar tem outras atribuições”, explicou.
Segundo ele, a criação do núcleo municipal permitirá ampliar o atendimento e reduzir a fila de espera.
“O objetivo é que o município também passe a ofertar esse serviço de forma muito mais ampla, trazendo benefícios não só para os pacientes, mas principalmente para as famílias. Quem ganha, na verdade, é toda a sociedade”, afirmou.
A equoterapia é um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo em uma abordagem interdisciplinar. Regulamentada pela Lei Federal nº 13.830/2019, a prática é utilizada como tratamento complementar, com resultados significativos no desenvolvimento físico, cognitivo e emocional dos pacientes.
Silvio ressaltou os impactos positivos da terapia:
“É impressionante. Eu ouvi de pais que o filho não conseguia se sustentar e hoje está andando. O contato com o animal melhora a postura, a coordenação e também a comunicação. Crianças que tinham dificuldade de se relacionar passam a ter uma qualidade de vida muito melhor”.
Atualmente, cerca de 50 a 60 pessoas são atendidas pelo serviço existente na cidade, enquanto a fila de espera pode ultrapassar 200 pacientes.
“A informação que temos é que o número de pessoas que procuram é três vezes maior do que a capacidade de atendimento. Isso mostra o quanto Feira de Santana precisa ter um olhar mais atento para essas famílias”, destacou o vereador.
Ele também chamou atenção para o crescimento de diagnósticos como autismo, TDAH e outras condições que podem se beneficiar da equoterapia.
“São muitas famílias atípicas no município. Esse tratamento, que é multidisciplinar, com fisioterapeutas, psicólogos e outros profissionais, traz resultados que melhoram significativamente a qualidade de vida”, disse.
De acordo com o parlamentar, o projeto permite que a Prefeitura implante o programa sem custos iniciais, por meio de parcerias com instituições públicas e privadas.
“A prefeitura pode firmar convênios, por exemplo, com entidades como a UNAGRO ou com o Senar, utilizando estruturas já existentes, como o Parque de Exposição. É um custo baixo diante dos benefícios que o programa oferece”, explicou.
O programa prevê atendimento por equipe multiprofissional, com profissionais como médicos, veterinários, psicólogos, fisioterapeutas e instrutores de equitação, além de pedagogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais.
Para ter acesso ao serviço, os pacientes passarão por avaliações médica, psicológica e fisioterapêutica, com plano individual de acompanhamento e reavaliações periódicas.
Terão prioridade pessoas com deficiência com indicação terapêutica, pessoas com TEA, estudantes da rede municipal com laudo multiprofissional e usuários de programas sociais.
Silvio Dias destacou que o projeto faz parte de um conjunto de iniciativas voltadas à inclusão no município.
“Esse projeto vem na esteira de outros que já aprovamos, como o da seletividade alimentar nas escolas e o que garante prioridade para crianças com deficiência. São ações que buscam dar visibilidade e cuidado a pessoas que historicamente foram invisibilizadas”, afirmou.