Especialista orienta foliões a manterem equilíbrio, hidratação e acompanhamento médico durante a festa.
Com a chegada do Carnaval, período marcado por festas, consumo de bebidas alcoólicas e mudanças na rotina, a médica nutróloga Dra. Aline Jardim participou do programa Cidade em Pauta para orientar os ouvintes sobre como manter o processo de emagrecimento mesmo durante a folia.
Durante a entrevista, a especialista destacou que é possível aproveitar o Carnaval sem comprometer os resultados conquistados ao longo do tratamento.
“O grande problema do Carnaval é o excesso de bebida alcoólica e a falta de hidratação adequada. Isso faz com que, no dia seguinte, a pessoa consuma ainda mais carboidrato e alimentos gordurosos”, explicou.
Segundo a médica, o álcool impacta diretamente o metabolismo e pode prejudicar a queima de gordura por vários dias.
“O álcool é uma substância tóxica. Quando você consome, o corpo leva em torno de três dias para voltar a queimar as calorias como antes. Ele desacelera o metabolismo e, dependendo da bebida, é altamente calórico, como a cerveja”, afirmou.
Ela ainda usou um exemplo didático para alertar os pacientes: “Eu tenho pacientes que dizem: ‘Doutora, eu não como pão’. Mas bebem cerveja. E eu digo: então você está bebendo o pão líquido”, pontuou.
Além das calorias, ela lembrou que a bebida pode conter glúten, o que exige atenção redobrada de pessoas intolerantes.
Outro fator citado foi a privação de sono, comum durante o Carnaval.
“Uma noite mal dormida pode fazer a pessoa consumir até 300 quilocalorias a mais no dia seguinte. É uma soma de fatores: bebida alcoólica, pouco sono e má alimentação”, destacou.
Questionada se passar horas pulando atrás do trio pode ser considerado exercício físico, Dra. Aline confirmou que o gasto calórico é significativo — desde que haja preparo e hidratação.
“Sete horas pulando atrás do trio é um super exercício. Mas é fundamental estar hidratado e se alimentar de forma adequada”, ressaltou.
Ela alertou, no entanto, que a desidratação pode trazer riscos, especialmente para homens que usam testosterona ou são diabéticos.
“A desidratação pode aumentar o risco de eventos trombóticos, como infarto e AVC, principalmente em pessoas que já têm fatores de risco. A hidratação é fundamental”, enfatizou.
Entre os principais erros alimentares observados nesse período, a médica citou:
Como alternativa, ela orienta priorizar alimentos leves e hidratantes.
“Água, água de coco, frutas como melancia, melão e abacaxi ajudam na hidratação. Evitar frituras e exageros faz toda diferença”, recomendou.
Sobre o tradicional caldo de cana usado como “cura para ressaca”, foi direta:
“Caldo de cana é puro açúcar. Pode até dar energia momentânea, mas é preciso cuidado”, alertou.
A nutróloga também chamou atenção para o uso indiscriminado de medicamentos para emagrecimento e hormônios, muitas vezes adquiridos sem acompanhamento médico.
“Não é para parar a medicação por causa do Carnaval. Pelo contrário, elas ajudam a controlar os excessos. Mas precisam de acompanhamento médico adequado”, explicou.
Segundo ela, quando usados sem orientação, esses medicamentos podem provocar efeitos colaterais, especialmente diante de exageros alimentares e ingestão de álcool.
“Eu estava no salão esses dias e três mulheres estavam passando muito mal, vomitando, todas usando medicação. Provavelmente exageraram na alimentação”, relatou.
Para a especialista, não existe consumo de álcool considerado saudável.
“Se vamos falar em saúde, o ideal é zero álcool. Mas, se a pessoa optar por beber, precisa intercalar com bastante água e ter consciência”, reforçou.
Ela finalizou lembrando que o Carnaval pode ser vivido de formas diferentes: curtindo a folia ou aproveitando para descansar.
“Equilíbrio é a palavra. E se precisar de ajuda, procure acompanhamento. Emagrecimento é tratamento de doença crônica, não é algo que termina quando você atinge o peso”, concluiu.
A Dra. Aline Jardim atende no Instituto da Plástica, em Feira de Santana