Dra. Aline Jardim destaca que homens ainda demoram a buscar tratamento e chegam ao consultório já com doenças associadas
A obesidade entre os homens vai muito além da estética e pode desencadear uma série de complicações hormonais e cardiovasculares. O alerta foi feito pela médica nutróloga Aline Jardim durante participação no quadro Saúde em Pauta, quando ela destacou que o acúmulo de gordura abdominal é um dos principais sinais de risco.
Segundo a especialista, ainda existe uma cultura de normalização da “barriguinha masculina”, o que atrasa o diagnóstico e o início do tratamento.
“Os homens demoram mais a buscar ajuda. É como se fosse natural o homem ter aquela barriguinha de chope, mas não é. Isso já está mostrando um risco maior cardiovascular”, afirmou.
Ela reforça que a gordura visceral está diretamente ligada ao aumento de doenças cardíacas.
“Os homens infartam muito mais do que as mulheres. Um dos motivos é essa gordura visceral aumentada”, explicou.
De acordo com Dra. Aline, muitos pacientes do sexo masculino chegam ao consultório já com quadros de hipertensão, alterações metabólicas e queda hormonal.
“Quando eles chegam para tratar a obesidade, já vêm com quadro hipertensivo. Às vezes já descobriram a pressão alta em um exame de rotina”, relatou.
Outro impacto importante é a redução da testosterona, que pode afetar energia, massa muscular e até a vida sexual.
“A obesidade pode levar à diminuição da testosterona. O tecido adiposo e a resistência insulínica contribuem para isso”, disse.
A médica explica que o quadro pode evoluir para o chamado hipogonadismo, condição em que há baixa produção hormonal.
“O hipogonadismo é quando há queda da testosterona, seja por falha no testículo ou na hipófise”, detalhou.
A especialista também destacou que o excesso de peso impacta diretamente a vitalidade e o comportamento masculino no dia a dia.
“A testosterona é fundamental para dar energia, atitude e disposição. Quando ela cai, o homem perde vitalidade”, afirmou.
Segundo ela, a obesidade associada ao sedentarismo e à má alimentação pode gerar um ciclo de piora contínua da saúde.
“O homem espera adoecer para buscar ajuda, e isso não pode acontecer. Quando percebe a circunferência abdominal aumentada, já precisa investigar a saúde como um todo”, alertou.
A médica destacou ainda que, em muitos casos, a melhora do estilo de vida é suficiente para reverter alterações hormonais e metabólicas.
“Não significa que todo homem obeso precisa repor testosterona. Muitas vezes, ao perder gordura e melhorar a alimentação, o corpo volta a produzir normalmente”, explicou.
Ela citou o caso de pacientes que conseguiram reverter o quadro apenas com reeducação alimentar, atividade física e regularização do sono.
“Quando eles mudaram a rotina, começaram a treinar, dormir melhor e perder peso, a testosterona aumentou naturalmente”, contou.
A especialista também fez um alerta sobre o uso indiscriminado de hormônios sem acompanhamento médico.
“O uso de testosterona sem controle pode inibir o eixo hormonal e, em alguns casos, o corpo não volta a produzir sozinho”, concluiu.