Ação integrada da SEAP, SSP e MPBA suspendeu temporariamente as visitas para reforçar a segurança e combater a atuação de organizações criminosas.
A suspensão das visitas no Conjunto Penal de Feira de Santana, determinada durante a realização da Operação Angerona II, tem provocado angústia entre familiares dos internos. Na entrada da unidade, um comunicado da direção informa que a medida foi adotada em razão da ação integrada da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (SEAP), Secretaria da Segurança Pública (SSP) e Ministério Público da Bahia (MPBA).
A operação foi deflagrada com o objetivo de reforçar a segurança prisional, ampliar as ações de inteligência e combater a atuação de organizações criminosas a partir do sistema prisional. Entre as metas estão a localização de materiais ilícitos e o fortalecimento da integração entre as forças de segurança.
Enquanto as equipes atuam dentro da unidade, familiares aguardam por notícias dos presos. É o caso de Dona Jó, mãe de um dos internos, que afirmou viver dias de incerteza diante da suspensão das visitas.
"Está sendo péssimo. Ele já está aqui pagando pelos erros dele, mas o que a gente está vendo nas redes sociais não está correto", desabafou.
Segundo ela, a falta de informações oficiais aumenta a aflição das famílias. Dona Jó relata que acompanha publicações nas redes sociais sobre a operação, mas não sabe se o conteúdo divulgado corresponde à realidade.
"A gente está sem notícia dos nossos familiares. Só vê comentário nas redes sociais e não sabe o que realmente está acontecendo. Eles são seres humanos", afirmou.
A mãe do detento também questiona supostas informações sobre as condições enfrentadas pelos internos durante a operação.
"A gente vê imagens dizendo que eles estão dormindo sem colchão. Também ouvi falar que estavam ficando só de cueca e até sobre alimentação. Eu não sei se é verdade ou mentira, mas isso deixa a família desesperada", disse.
Outro ponto levantado por Dona Jó é a ausência de informações prestadas aos visitantes que compareceram ao presídio.
"Nenhum assistente social apareceu para atender a gente. Como é que a gente fica? A gente vem de longe e não recebe nenhuma informação", reclamou.
Ela também demonstrou preocupação com a situação de saúde do filho, que, segundo relata, possui diversas comorbidades e necessita de acompanhamento médico contínuo.
"Meu filho usa bombinha, tem aneurisma, já teve cinco AVCs, é bipolar e toma remédio controlado. Fico preocupada sem saber como ele está", contou.
A Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) informou que todos os órgãos envolvidos, incluindo representantes do Ministério Público da Bahia (MPBA), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), equipes de assistência social e os familiares dos internos, foram comunicados previamente sobre a suspensão temporária das visitas. Segundo a pasta, a medida é um procedimento padrão durante operações de segurança no sistema prisional.
A Seap explicou ainda que, por se tratar de uma ação sigilosa, não é possível divulgar detalhes sobre a operação enquanto ela estiver em andamento. De acordo com o órgão, a suspensão das visitas costuma durar cerca de uma semana e a expectativa é que o atendimento aos familiares seja retomado na próxima semana, após a conclusão dos trabalhos.
A secretaria ressaltou que a suspensão temporária das visitas faz parte do protocolo adotado em operações dessa natureza.
De acordo com a SEAP, a Operação Angerona II tem como foco fortalecer a segurança nas unidades prisionais, levantar informações estratégicas para aperfeiçoar as ações de inteligência e ampliar a atuação integrada entre os órgãos estaduais no enfrentamento à criminalidade.
Entre os resultados esperados estão o enfraquecimento da capacidade de articulação de organizações criminosas a partir do sistema prisional, especialmente aquelas com atuação fora das unidades, além do combate à entrada e permanência de materiais ilícitos que possam comprometer a ordem e a segurança.
Enquanto as ações continuam no Conjunto Penal de Feira de Santana, as visitas permanecem suspensas, conforme comunicado divulgado pela direção da unidade. Até o momento, não foi informado quando o atendimento aos familiares será retomado.