Feira de Santana enfrenta variação nos valores de produtos como alface e limão, impactados por clima irregular, custos de frete e dinâmica entre oferta e demanda
As constantes variações climáticas têm afetado diretamente a produção de hortaliças e frutas durante o verão, provocando oscilações nos preços praticados em feiras e mercados de Feira de Santana. A avaliação é do economista e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Rosevaldo Ferreira, que explica que fatores como excesso ou escassez de produção, aliados ao comportamento do consumidor, interferem diretamente nos valores finais.
Segundo ele, o clima pode atuar de forma positiva ou negativa na agricultura.
“A questão climática pode derivar para uma grande produção ou para uma queda na produção. E aí entra a lei da economia: se tem muito produto no mercado e poucos consumidores, o preço cai. Se tem pouco produto e muitos consumidores, o preço sobe”, explicou.
Rosevaldo destaca que algumas culturas têm ciclos de produção mais curtos, como a alface, que pode ser colhida entre 30 e 40 dias após o plantio. Já o tomate, por exemplo, pode ter até quatro safras por ano. “É natural que, após uma superprodução, venha a queda de preços”, observou.
No entanto, no caso das hortaliças folhosas, qualquer quebra no ciclo de colheita semanal pode provocar impactos significativos.
“Uma quebra no ciclo semanal faz com que o comércio precise buscar hortaliças em outras regiões, e isso encarece o produto por causa do frete”, afirmou. Quando há necessidade de importar alface, principalmente de estados como Minas Gerais, as perdas e os custos aumentam ainda mais.
“Se você traz em caminhão aberto, perde metade da carga. Se traz em caminhão frigorífico, o frete é caro, e o preço de venda da alface não é tão alto assim. Chegamos a presenciar alface roxa sendo vendida a oito reais em Feira de Santana no mês de janeiro. Isso é terrível”, ressaltou.
Outro ponto destacado pelo economista é a crescente irregularidade dos eventos climáticos. “A cada período, os eventos climáticos têm sido mais irregulares. Isso tem afetado bastante a produção. Não é pouco, não. É muito”, frisou, acrescentando que esse cenário impacta diretamente nos preços para o consumidor final.
O limão, bastante consumido no verão, também sofre influência desse contexto. De acordo com Rosevaldo, a demanda cresce nessa época, impulsionada pelo consumo em praias e bebidas típicas da estação.
“Os produtores se preparam para o verão plantando e colhendo mais. Só que o mês de fevereiro está sendo muito instável em termos de chuva, e isso provoca perdas na produção”, explicou.
Para ele, a consequência é inevitável: “Essa perda vai impactar com certeza no preço lá na frente. Até brinco que são as águas de março fechando o verão e aumentando o preço do limão”, concluiu.
*Com informações do repórter JP Miranda