Especialista explica sintomas, formas de diagnóstico e reforça que medicamentos como Ozempic e Mounjaro devem ser usados apenas com indicação médica
O uso indiscriminado de canetas emagrecedoras, cada vez mais populares no Brasil, tem levantado preocupações na comunidade médica. O tema foi destaque no programa Jornal do Meio Dia, que contou com a participação do gastro-hepatologista e endoscopista, Dr. Luiz Almeida, para esclarecer os riscos, especialmente a possibilidade de pancreatite aguda.
O médico destacou a importância de discutir não apenas os benefícios, mas também os efeitos adversos dessas medicações.

Segundo o especialista, a pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que pode variar de leve a grave.
“Ela é classificada em leve, moderada e grave. Em alguns casos, como o nome diz, pode ser grave, o paciente pode precisar de internação em UTI e corre risco de vida”, explicou.
O tratamento e a evolução dependem da gravidade do quadro. Casos mais leves podem ser resolvidos em poucos dias, mas quadros graves exigem acompanhamento intensivo.
As medicações mais conhecidas no Brasil, como Ozempic e Mounjaro, têm como princípios ativos a semaglutida e a tirzepatida, indicadas principalmente para obesidade e diabetes tipo 2.
O médico esclarece que o risco de pancreatite está descrito em bula, mas é considerado baixo.
“Oficialmente elas aumentam o risco de pancreatite aguda, mas o que se observa nos estudos é que esse risco é muito pequeno e principalmente em pacientes que já têm fatores de risco, como obesidade, diabetes, triglicerídeos elevados ou pedra na vesícula”, afirmou.
O grande problema, segundo ele, é o uso como “cosmético”. “A medicação não foi feita para estética. Foi feita para tratar doenças, como obesidade e diabetes tipo dois. O modismo e o uso indiscriminado, sem acompanhamento médico, é que aumentam o risco”, alertou.
O Dr. Luiz reforçou que praticamente todos os pacientes apresentam efeitos colaterais.
“Em quase cem por cento dos casos vão existir efeitos adversos, geralmente leves e gastrointestinais: enjoo, náuseas, vômitos, diarreia ou obstipação. Eles são extremamente comuns e até esperados”, destacou.
No entanto, complicações mais graves podem ocorrer, e a pancreatite é uma das principais preocupações.
O principal sintoma da pancreatite aguda é a dor abdominal intensa e persistente. “Se a dor estiver mais forte do que o habitual, durando mais de dez minutos e acompanhada de náuseas, o paciente deve zerar a dieta e procurar imediatamente a emergência”, orientou.
Ele descreve a dor típica como “uma dor em faixa, que percorre a parte superior do abdômen e pode irradiar para as laterais”.
O diagnóstico é feito com avaliação clínica, exames laboratoriais (amilase e lipase) e, em caso de dúvida, tomografia com contraste.
O consumo de álcool pode potencializar o risco. “O álcool é um inflamador do pâncreas. O uso crônico pode levar à pancreatite crônica, que pode agudizar”, explicou.
Além disso, triglicerídeos elevados e a presença de cálculos biliares também aumentam a probabilidade de inflamação pancreática.
Confirmado o diagnóstico, o tratamento inicial consiste em suspender totalmente a alimentação.
“O tratamento principal é dieta zero e hidratação venosa vigorosa. O pâncreas precisa descansar para se recuperar”, explicou.
Em casos leves, a melhora pode ocorrer em 24 a 48 horas. “Já tive paciente que teve alta em 48 horas. Mas, nos casos graves, pode ser necessário UTI, sonda para alimentação ou dieta pela veia”, relatou.
Para o especialista, o principal erro é o uso por conta própria, sem acompanhamento e, muitas vezes, com medicamentos de procedência duvidosa.
“Tomar sem prescrição, sem ajuste de dose, sem exames prévios, é um conjunto de erros. Essas medicações devem ser escalonadas, monitoradas e usadas apenas por quem realmente tem indicação”, reforçou.
Ele finalizou deixando um alerta: “Elas são extremamente eficazes e eu prescrevo para pacientes selecionados. Mas com toda orientação correta. Assim você minimiza, embora não zere, o risco de complicações”.