O período de Páscoa tem impulsionado o empreendedorismo em Feira de Santana, especialmente no setor de confeitaria artesanal. Com a alta nos preços dos ovos industrializados, que podem ultrapassar os R$ 100, muitos consumidores têm buscado alternativas mais personalizadas e, em alguns casos, mais acessíveis. Esse cenário tem aberto espaço para pequenos produtores, que encontram na data uma oportunidade de renda e crescimento.
É o caso da confeiteira Mariana Oliveira Simões da Silva, que acredita que o sucesso dos ovos artesanais está diretamente ligado à experiência oferecida ao cliente: “Hoje não é só sobre comprar um ovo de Páscoa, é sobre presentear, surpreender. O artesanal entrega isso com mais cuidado nos detalhes, na escolha dos ingredientes e na apresentação”, afirma.

Segundo ela, mesmo com a concorrência ampliada durante o período, há espaço para diferentes perfis de empreendedores: “O mercado é amplo e cada negócio encontra seu público. O diferencial está na construção da marca, no cuidado com o produto e na experiência de quem vai receber”, destaca.
Mariana produz ovos que chegam a 350 gramas e aposta em ingredientes de maior qualidade, incluindo chocolates considerados nobres. Os preços variam e podem alcançar até R$ 90 nos produtos especiais. Entre os sabores disponíveis estão combinações como brigadeiro, leite ninho e geleia de morango.

Apesar das oportunidades, a confeiteira alerta para os desafios: “Muita gente entra achando que é fácil ou que vai lucrar rápido, mas existe todo um custo: ingredientes, embalagens, tempo e energia. Além disso, ainda há a comparação com os produtos industriais, que são feitos em larga escala e têm custos reduzidos”, explica.
Para novos empreendedores, a Páscoa também tem funcionado como porta de entrada no mercado. É o caso da estudante de psicologia Gabriela Cerqueira, de 22 anos, que decidiu iniciar a venda de ovos artesanais neste ano.
“Eu já estudava possibilidades de renda extra e vi na Páscoa uma oportunidade. Como gosto de cozinhar, resolvi começar”, conta.

Pensando no público ao seu redor, formado principalmente por estudantes e jovens aprendizes, Gabriela estruturou um cardápio mais acessível. Seus produtos variam até 150 gramas e custam até R$ 25. A estratégia incluiu equilibrar custo e qualidade, optando por manter bons ingredientes e investir em uma apresentação atrativa.
“Eu sabia que precisava oferecer um produto bonito e gostoso, mas que fosse viável para o meu público. Então foquei em embalagens criativas e em sabores que agradam, como brigadeiro e ninho”, explica.
A rotina intensa foi um dos principais desafios enfrentados por Gabriela, que precisou conciliar a produção com os estudos e o estágio. Para impulsionar as vendas, ela apostou na divulgação direta. “Distribuí amostras para as pessoas próximas, e isso ajudou muito nas encomendas. O Instagram e o WhatsApp também foram fundamentais”, relata.

O crescimento do mercado de ovos artesanais reflete uma mudança no comportamento do consumidor, que tem valorizado cada vez mais produtos personalizados e experiências afetivas. Ao mesmo tempo, evidencia o potencial da confeitaria como alternativa de renda, especialmente em datas sazonais.
*com informações do repórter JP Miranda