Tribunal também determina prisão cautelar dos três policiais acusados de executar jovem durante “Operação Choque de Ordem”
Três policiais militares acusados de envolvimento na morte de Kailan Oliveira de Jesus, em Jequié, no sudoeste baiano, serão submetidos a júri popular após decisão da Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). A medida, tomada na última quinta-feira (6), atendeu a um recurso do Ministério Público da Bahia (MP-BA), que também resultou na prisão cautelar dos agentes.
Os policiais Milton Ferraz de Andrade Júnior, Edgar Almeida Gomes e Valdomiro Teixeira Dias haviam sido absolvidos sumariamente pela Vara Criminal de Jequié, mas o MP, por meio do Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp), recorreu da decisão. Segundo o órgão, o crime teria sido uma execução sumária, praticada com abuso de autoridade e forjamento de provas.
“A morte de Kailan ocorreu por execução sumária, com recurso que impossibilitou sua defesa e por motivo torpe, tendo sido praticada por agentes do Estado que abusaram de sua autoridade, manipularam a cena do crime e apresentaram uma versão inverídica dos fatos à autoridade policial”, afirmaram os promotores no recurso.
De acordo com as investigações, o crime ocorreu em 10 de maio de 2023, quando os policiais invadiram a casa da irmã da vítima, retiraram os familiares e permaneceram sozinhos com Kailan. Minutos depois, o jovem, desarmado e sem reagir, foi atingido por disparos e morreu no local.
Os acusados foram presos pela primeira vez em dezembro de 2024, durante a deflagração da “Operação Choque de Ordem”, que apurava o envolvimento dos militares na morte. Em março deste ano, os três voltaram a ser presos após a Justiça acolher novo pedido do MP contra a decisão que havia determinado a soltura dos PMs.
Com a decisão do TJ-BA, o caso agora segue para julgamento pelo Tribunal do Júri, em data ainda a ser definida.