Grupo venezuelano está acolhido temporariamente em casa de passagem enquanto poder público busca alternativas definitivas de habitação
A Prefeitura de Feira de Santana, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, intensificou as articulações com os governos estadual e federal para garantir moradia digna às famílias indígenas venezuelanas da etnia Warao que retornaram recentemente ao município. Atualmente, o grupo encontra-se acolhido de forma temporária na Casa de Passagem Municipal.
Segundo a secretária de Desenvolvimento Social, Gerusa Sampaio, o acolhimento emergencial foi iniciado assim que o município tomou conhecimento da situação de vulnerabilidade das famílias.
“Desde o retorno dessas famílias, promovemos imediatamente o acolhimento na Casa de Passagem Municipal, como forma de garantir proteção social a esse grupo”, afirmou.
Apesar do suporte emergencial, a secretária destaca que a permanência no equipamento não pode ser prolongada.
“Esse acolhimento é temporário. Nosso grande desafio é justamente a definição da moradia, que é o primeiro passo para garantir dignidade, autonomia e acesso pleno às políticas públicas”, explicou.
De acordo com Gerusa, o município tem dialogado com diversos atores para construir soluções viáveis, incluindo representantes do Governo do Estado, do Governo Federal, da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), do terceiro setor e do Movimento Nacional da População em Situação de Rua – núcleo Feira de Santana.
“Estamos realizando reuniões intersetoriais, com escuta qualificada e diálogo permanente, para definir estratégias que garantam moradia a essas famílias”, ressaltou.
Um dos entraves apontados pela secretária está relacionado às especificidades culturais do grupo.
“Nós temos benefícios eventuais, como o aluguel social. Porém, a cultura desse povo é viver de forma coletiva. Eles não aceitam morar separados em bairros diferentes. Precisam permanecer juntos, o que dificulta a localização de um imóvel que comporte todas as famílias”, pontuou.
O grupo manifesta o desejo de retornar a uma vila onde residiu há cerca de três anos, no bairro da Mangabeira. No entanto, o imóvel exige reformas e adequações solicitadas pelo proprietário.
“O proprietário tem suas condicionalidades e apresentou demandas que precisam ser atendidas para que o aluguel seja efetivado. No momento, isso ainda impede a concretização da locação”, explicou Gerusa.
A secretária enfatizou que todas as ações da gestão municipal seguem os princípios legais e não discriminatórios.
“Nosso intuito é garantir a dignidade dessas famílias, com atendimento humanizado e acesso à saúde, educação e segurança. Mas tudo isso depende do primeiro passo, que é a moradia”, afirmou.
No final de 2025, o município solicitou apoio institucional ao Governo do Estado, por meio da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, além de outros órgãos estaduais.
“Através do diálogo e da escuta, estamos avançando na definição da moradia. Essa é uma situação que exige uma ação integrada, articulada e intersetorial entre governo e sociedade civil”, destacou.
Apesar do recebimento de um repasse emergencial do Governo Federal, os recursos não podem ser utilizados para custear a permanência das famílias na Casa de Passagem.
“A moradia é primordial para que possamos garantir autonomia e independência a essas famílias. Só a partir disso conseguiremos estruturar melhor as demais ações”, acrescentou.
Atualmente, as famílias recebem acompanhamento socioassistencial e acesso às políticas públicas essenciais. A expectativa é que, com a definição da moradia, elas passem a ser referenciadas pelos serviços locais.
“A partir da moradia, as famílias serão vinculadas ao CRAS, à unidade de saúde do território e as crianças e adolescentes poderão ser inseridos na escola, criando um sentimento de pertencimento”, explicou a secretária.
Gerusa Sampaio informou ainda que uma nova reunião com o Governo do Estado está marcada para esta semana, em Salvador.
“Estamos indo à capital para buscar, com mais celeridade, soluções que envolvam moradia, saúde, assistência social, educação, segurança e empregabilidade. Estamos empenhados em garantir os direitos dessa população e não mediremos esforços para isso”, concluiu.
*Com informações da repórter Isabel Bomfim