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Prefeitura articula com Estado e União soluções de moradia para famílias venezuelanas em Feira de Santana

Grupo venezuelano está acolhido temporariamente em casa de passagem enquanto poder público busca alternativas definitivas de habitação

Por Rafa
quarta-feira, 04 de fevereiro de 2026
Imagem de Prefeitura articula com Estado e União soluções de moradia para famílias venezuelanas em Feira de Santana

A Prefeitura de Feira de Santana, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, intensificou as articulações com os governos estadual e federal para garantir moradia digna às famílias indígenas venezuelanas da etnia Warao que retornaram recentemente ao município. Atualmente, o grupo encontra-se acolhido de forma temporária na Casa de Passagem Municipal.

Segundo a secretária de Desenvolvimento Social, Gerusa Sampaio, o acolhimento emergencial foi iniciado assim que o município tomou conhecimento da situação de vulnerabilidade das famílias.

“Desde o retorno dessas famílias, promovemos imediatamente o acolhimento na Casa de Passagem Municipal, como forma de garantir proteção social a esse grupo”, afirmou.

Apesar do suporte emergencial, a secretária destaca que a permanência no equipamento não pode ser prolongada.

“Esse acolhimento é temporário. Nosso grande desafio é justamente a definição da moradia, que é o primeiro passo para garantir dignidade, autonomia e acesso pleno às políticas públicas”, explicou.

De acordo com Gerusa, o município tem dialogado com diversos atores para construir soluções viáveis, incluindo representantes do Governo do Estado, do Governo Federal, da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), do terceiro setor e do Movimento Nacional da População em Situação de Rua – núcleo Feira de Santana.

“Estamos realizando reuniões intersetoriais, com escuta qualificada e diálogo permanente, para definir estratégias que garantam moradia a essas famílias”, ressaltou.

Um dos entraves apontados pela secretária está relacionado às especificidades culturais do grupo.

“Nós temos benefícios eventuais, como o aluguel social. Porém, a cultura desse povo é viver de forma coletiva. Eles não aceitam morar separados em bairros diferentes. Precisam permanecer juntos, o que dificulta a localização de um imóvel que comporte todas as famílias”, pontuou.

O grupo manifesta o desejo de retornar a uma vila onde residiu há cerca de três anos, no bairro da Mangabeira. No entanto, o imóvel exige reformas e adequações solicitadas pelo proprietário.

“O proprietário tem suas condicionalidades e apresentou demandas que precisam ser atendidas para que o aluguel seja efetivado. No momento, isso ainda impede a concretização da locação”, explicou Gerusa.

A secretária enfatizou que todas as ações da gestão municipal seguem os princípios legais e não discriminatórios.

“Nosso intuito é garantir a dignidade dessas famílias, com atendimento humanizado e acesso à saúde, educação e segurança. Mas tudo isso depende do primeiro passo, que é a moradia”, afirmou.

No final de 2025, o município solicitou apoio institucional ao Governo do Estado, por meio da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, além de outros órgãos estaduais.

“Através do diálogo e da escuta, estamos avançando na definição da moradia. Essa é uma situação que exige uma ação integrada, articulada e intersetorial entre governo e sociedade civil”, destacou.

Apesar do recebimento de um repasse emergencial do Governo Federal, os recursos não podem ser utilizados para custear a permanência das famílias na Casa de Passagem.

“A moradia é primordial para que possamos garantir autonomia e independência a essas famílias. Só a partir disso conseguiremos estruturar melhor as demais ações”, acrescentou.

Atualmente, as famílias recebem acompanhamento socioassistencial e acesso às políticas públicas essenciais. A expectativa é que, com a definição da moradia, elas passem a ser referenciadas pelos serviços locais.

“A partir da moradia, as famílias serão vinculadas ao CRAS, à unidade de saúde do território e as crianças e adolescentes poderão ser inseridos na escola, criando um sentimento de pertencimento”, explicou a secretária.

Gerusa Sampaio informou ainda que uma nova reunião com o Governo do Estado está marcada para esta semana, em Salvador.

“Estamos indo à capital para buscar, com mais celeridade, soluções que envolvam moradia, saúde, assistência social, educação, segurança e empregabilidade. Estamos empenhados em garantir os direitos dessa população e não mediremos esforços para isso”, concluiu.

*Com informações da repórter Isabel Bomfim

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