Baixa taxa de jovens na universidade motiva mobilização
Uma audiência pública realizada nesta segunda-feira (24) reuniu lideranças políticas, representantes da sociedade civil organizada e especialistas para discutir a criação de uma Universidade Federal com sede em Feira de Santana. O encontro, considerado um avanço significativo na mobilização pelo fortalecimento do ensino superior público na região, reforçou a necessidade de ampliar a oferta de vagas e atender às demandas socioeconômicas de um dos maiores centros urbanos do interior do Nordeste.
Entre os participantes esteve o presidente do Instituto Pensar Feira, Edson Piaggio, que destacou a relevância estratégica da iniciativa para o desenvolvimento regional.
“Aconteceu um evento muito importante para trazer para Feira de Santana uma universidade federal que não atende só Feira, e sim toda a região geográfica que gira em torno da cidade”, afirmou.
Piaggio ressaltou que a dimensão e o papel de Feira de Santana justificam a instalação da instituição.
“Feira de Santana é a 34ª maior cidade do país, a segunda maior da Bahia e a maior do interior do Nordeste. É inconcebível que uma cidade desse porte ainda não tenha uma universidade federal plena”, disse.
Ao comparar a realidade do município com cidades brasileiras menores que já contam com universidades federais ou estaduais, ele destacou a urgência da expansão.
“Em Mossoró, 46,81% dos jovens entre 18 e 24 anos estão na universidade. Em Campina Grande, são 36,10%. Já em Feira de Santana, não chega a 4%. Isso mostra o quanto precisamos aumentar a oferta pública”, pontuou.
Segundo ele, o encontro demonstrou unidade e força política. “Estava lá reunida a sociedade civil organizada, todos os segmentos sociais e também as autoridades. A Assembleia Legislativa funcionou hoje em Feira com essa audiência conjunta com a Câmara de Vereadores. Fiquei muito feliz, porque foi um passo importante para transformar o campus da UFRB em uma universidade independente”, declarou.
Questionado sobre as etapas seguintes, Piaggio explicou que o movimento já começa a avançar para formalizações e articulações junto ao Governo Federal.
“Após essa audiência, foi feita uma ata que está sendo enviada aos 83 municípios da região intermediária de Feira de Santana para que todos lavrem atas apoiando o projeto. É fundamental que cada município se engaje”, ressaltou.
O objetivo é consolidar um dossiê regional que será encaminhado à Casa Civil da Presidência da República.
“A Casa Civil encaminhará ao Ministério da Educação, e assim esperamos que o presidente possa emitir a lei de criação da universidade, que é o sonho dos nossos jovens”, explicou Piaggio.
O presidente do Instituto Pensar Feira reforçou ainda a urgência de ampliar o acesso ao ensino público.
“Não podemos permitir que apenas 4% dos jovens de 18 a 24 anos da região frequentem uma universidade pública. Quem não pode pagar fica sem estudar, e o governo acaba precisando subsidiar faculdades privadas. A solução é ampliar a oferta gratuita”, concluiu.