Em 2026, os dois primeiros meses do ano somam 62 denúncias, sendo 35 em janeiro e 27 em fevereiro.
O número de denúncias de violência contra a pessoa idosa tem aumentado em Feira de Santana, acendendo um alerta para autoridades e para a sociedade. A informação é da presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa, Liliane Carvalho, que destacou a atuação dos órgãos de proteção e a necessidade de ampliar o enfrentamento ao problema.
Segundo Liliane, o Conselho vem intensificando as ações, mas admite que a demanda crescente exige ainda mais esforço.
“O Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa vem atuando de forma bem ativa. Nós gostaríamos, inclusive, que fosse mais, mas as demandas infelizmente vêm aumentando cada vez mais”, afirmou.
Ela explicou que o município conta com um Núcleo de Enfrentamento à Violência contra a Pessoa Idosa, vinculado à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SEDESO), localizado no Centro de Convivência para Idosos, no bairro Jardim Cerqueira. O espaço reúne uma equipe multidisciplinar para acolhimento e acompanhamento dos casos.
“Temos uma equipe com assistente social, advogado, psicólogo, onde são acompanhados esses processos. Além disso, os CREAS também acompanham as vítimas, não só idosos, mas mulheres, crianças e adolescentes”, detalhou.
O Conselho também realiza reuniões mensais para discutir estratégias de enfrentamento. “A gente vem discutindo esse processo nas reuniões mensais, sempre na primeira quarta-feira do mês, às 8h30. Já tratamos da violência em diversos contextos, como em instituições, unidades de saúde e até no transporte público”, acrescentou.
Um dos pontos mais preocupantes, segundo a presidente, é que a maior parte dos casos ocorre dentro do próprio ambiente familiar.
“Infelizmente, a violência acontece de forma mais comum com membros da própria família. Isso torna tudo mais difícil, porque são pessoas próximas que acabam sendo os supostos agressores”, alertou.
Entre os tipos de violência mais recorrentes estão a psicológica, física, financeira, sexual e institucional. No entanto, Liliane destaca que o abandono e a negligência têm crescido de forma significativa.
“Cada vez mais pessoas idosas estão sendo abandonadas, negligenciadas pelos familiares. Pode ser um filho, um companheiro, alguém próximo. É um cenário muito preocupante”, disse.
Dados do Núcleo de Direitos da Pessoa Idosa mostram a dimensão do problema ao longo de 2025. Foram registradas denúncias mensais que variaram de 27, em janeiro, a 93, em outubro. Apenas entre agosto, setembro e outubro, foram 189 registros.
Já em 2026, os dois primeiros meses somam 62 denúncias, sendo 35 em janeiro e 27 em fevereiro.
Apesar dos números expressivos, Liliane ressalta que os dados podem ser ainda maiores devido à subnotificação.
“Nem todos os casos são registrados em delegacia. Nem todos geram boletim de ocorrência. A gente orienta, mas ainda há muitos casos que não chegam ao registro formal”, explicou.
Para combater a violência, a orientação é que a população denuncie. Um dos principais canais é o Disque 100, que recebe denúncias de violações de direitos humanos em todo o país.
“Existe o Disque 100, que é um canal nacional para qualquer tipo de violência, seja contra idosos, mulheres ou crianças. É fundamental que as pessoas denunciem para que possamos acompanhar e agir”, reforçou.
A presidente do Conselho destaca que o enfrentamento à violência contra idosos precisa do envolvimento de toda a sociedade.
“É um problema que não é só de Feira de Santana, mas de todo o Brasil. E precisa ser enfrentado com responsabilidade, denúncia e políticas públicas eficazes.”
*Com informações do repórter JP Miranda