Problemas como hérnia de disco, formigamentos e perda de força estão entre os principais sinais de complicações mais graves, segundo ortopedista
Ficar por longos períodos na mesma posição, trabalhar sem ergonomia adequada e lidar com sobrecarga física diária são fatores que têm contribuído para o aumento expressivo de doenças na coluna entre trabalhadores na Bahia. O impacto já aparece nos números: entre 2024 e 2025, os benefícios por incapacidade temporária relacionados a problemas na coluna cresceram 63,5%, segundo dados do Ministério da Previdência.
As duas principais causas de afastamento foram “outros transtornos de discos intervertebrais”, com 16.219 concessões em 2025, e “dorsalgia”, que reúne dores na região torácica da coluna, com 15.406 casos. Somadas, essas condições chegaram a 31.625 afastamentos no ano passado, contra 19.333 em 2024.
No mesmo período, o total de benefícios por incapacidade temporária na Bahia também aumentou 32,7%, passando de 168.065 para 223.024.
Para o ortopedista e traumatologista Dr. Leonardo Rodrigues, embora a dor nas costas seja comum no ambiente de trabalho, alguns sinais exigem atenção imediata.
“A dor nas costas associada ao trabalho é extremamente comum. Mas alguns sinais chamam atenção para algo além de uma contratura muscular ou dor localizada lombar”, explica.
Segundo o especialista, dores irradiadas e sintomas neurológicos podem indicar problemas mais graves, como hérnia de disco ou compressão de nervos.
“Uma dor não localizada, que irradia para coxas, pernas e pés, ou na cervical que irradia para ombros, braços e cotovelos, pode indicar compressão neurológica. Dormência, formigamentos e choques elétricos também sugerem esse comprometimento”, detalha.
Ele também alerta para situações em que a dor não melhora com tratamentos comuns.
“Quando a dor não melhora mesmo com analgésicos e fisioterapia, ou quando há limitação funcional importante, como dificuldade para subir escadas, dirigir ou permanecer sentado por muito tempo, é preciso investigar”, afirma.
Outro ponto de atenção, segundo o médico, é a perda de força muscular.
“A fraqueza, a atrofia e a incapacidade funcional por perda de força também são sinais relevantes”, completa.
Além do diagnóstico, o especialista reforça que medidas simples de ergonomia podem reduzir significativamente o risco de lesões na coluna.
“Para quem trabalha muito tempo sentado, é importante manter o monitor na altura dos olhos, sentar com os pés apoiados no chão e fazer alternância entre sentado e em pé a cada 40 ou 60 minutos”, orienta.
Para atividades com esforço físico, ele recomenda atenção à forma de execução dos movimentos e uso de equipamentos auxiliares.
“Quem pega peso deve usar carrinhos auxiliares, flexionar os joelhos ao levantar carga e fazer pausas. O alongamento e a atividade física são extremamente importantes”, destaca.
O médico também aponta fatores coletivos para o aumento dos casos, como envelhecimento da população trabalhadora e sedentarismo, mas chama atenção para a responsabilidade das empresas.
“Não podemos esquecer da falha das empresas: falta de ergonomia, ausência de pausas estruturadas, metas incompatíveis com a jornada e longas horas de trabalho aumentam os casos de dor nas costas”, afirma.
Ele reforça que a dor lombar e cervical já é uma das principais causas de afastamento do mercado de trabalho no mundo, o que torna o tema uma questão de saúde pública.
“As empresas precisam incentivar postura adequada, fortalecimento muscular, alongamentos, pausas e o uso de equipamentos para reduzir sobrecarga”, conclui.
*Com informações da repórter Isabel Bomfim