Tradição religiosa reúne multidão no centro da cidade durante a Semana Santa
A tradicional Procissão do Fogaréu voltou a reunir centenas de fiéis na noite desta quinta-feira (02), em Feira de Santana, reafirmando uma das mais marcantes manifestações religiosas da Semana Santa no município. O cortejo teve início às 20h, com saída da Capela do Hospital Dom Pedro de Alcântara, e percorreu ruas do centro em um clima de silêncio, oração e profunda devoção.
A celebração integra o Tríduo Pascal, iniciado mais cedo com a Missa da Ceia do Senhor, às 18h, marcada pelo rito do lava-pés e seguida de adoração ao Santíssimo Sacramento. Durante a procissão, um dos momentos mais simbólicos foi o encontro entre as imagens do Senhor dos Passos e de Nossa Senhora das Dores, representando a dor e o sofrimento vividos por Jesus Cristo em sua caminhada até a crucificação.

Durante a procissão, as ruas do centro da cidade se transformaram em um cenário de espiritualidade. O silêncio e a oração acompanharam todo o trajeto, reforçando o sentimento de reflexão entre os participantes.
O arcebispo metropolitano de Feira de Santana, Dom Zanoni, destacou a importância histórica e espiritual da Procissão do Fogaréu, tradição de origem medieval que já ultrapassa um século no município. Segundo ele, o momento vai além de relembrar fatos do passado.

“Nós celebramos não apenas um fato histórico, mas a vida concreta, o sofrimento e as dores de cada pessoa. A cruz de Jesus também é a nossa cruz. É o centro da fé cristã, que move toda a nossa espiritualidade”, afirmou.
Presente há mais de uma década na tradição, o sargento da Marinha Antônio Modesto destacou o significado pessoal da participação no evento.

“Eu participo desde 2008, então deve ter aí mais de 15 anos. A Procissão do Fogaréu é uma preparação para a Santa Ceia do Senhor e também para a Páscoa. É o momento que a gente fica contrito a Deus. Todo ano que posso, estou aqui. A gente acaba se entregando nesse momento de preparação para o Senhor”, afirmou.
O sentimento de gratidão também foi destacado pelo gráfico Edmilson Carvalho, que ressaltou a importância de manter viva a tradição entre as novas gerações.
“Gratidão a Deus por Ele ter passado por tanta coisa para nos salvar, dar a vida por nós. Se a gente não passar isso para nossos filhos, eles não vão ter esse conhecimento. É importante transmitir esse momento de amor e sacrifício, para que eles continuem essa fé no futuro”, disse.

A participação de crianças também reforçou o caráter educativo e espiritual da celebração. A estudante Maria Eduarda, de 9 anos, contou a expectativa em vivenciar a procissão.
“A gente vai ver como Jesus passou por esse momento, acompanhar também. Vai ser muito bom para conhecer mais sobre a Bíblia. Eu me sinto maravilhosa, divina, e Deus está do meu lado”, relatou.
A programação da Semana Santa segue nesta Sexta-feira Santa, dia dedicado à Paixão do Senhor, com atividades desde o início da manhã. Às 8h começam as celebrações, seguidas pela descida de Jesus da cruz às 9h. Logo depois, às 9h30, será realizada a Via-Sacra na Praça da Matriz.
No período da tarde, às 16h, acontece a Solene Ação Litúrgica da Paixão do Senhor. Em seguida, os fiéis participam da procissão com o Senhor Morto, além do tradicional beijo da cruz e do Ofício da Paixão.

O Sábado Santo, conhecido como Sábado de Aleluia, será marcado pelo silêncio e pela expectativa da Ressurreição. Às 19h, será celebrada a Vigília Pascal, considerada a mais importante celebração da Igreja Católica.
Encerrando a programação, o Domingo de Páscoa contará com missas às 7h, 10h, 17h e 19h, celebrando a ressurreição de Jesus Cristo e a vitória da vida sobre a morte.



