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Bahia3 min de leitura

Professor e pesquisador musical aponta transformações e desafios do Carnaval ao longo dos anos

Com experiência de quem cobre e vive o Carnaval, professor relembra momentos marcantes

Por Rafa
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
Imagem de Professor e pesquisador musical aponta transformações e desafios do Carnaval ao longo dos anos

Com 32 anos dedicados à cobertura do Carnaval de Salvador, o professor de educação física, radialista e pesquisador musical Edilson Veloso acumula histórias, amizades e reflexões sobre uma das maiores festas populares do mundo. Entre circuitos, bastidores e conversas com foliões e ambulantes, ele afirma que o Carnaval vai muito além da música e dos trios elétricos.

“São trinta e duas coberturas e quando eu não fui cobrir, eu fui curtir, fui brincar. O Carnaval é muito mais que um trio, uma banda e o povo brincando. É celebração, são encontros e reencontros”, destaca.

Para Edilson, a festa representa também histórias de vida. “Quantas pessoas se conheceram no Carnaval e acabaram casando? A festa traduz alegria, satisfação, é um momento de extravasar. O homem não vive só de trabalho. O entretenimento é algo imprescindível na vida do ser humano”, afirma.

Histórias que marcam

Ao longo das mais de três décadas, ele coleciona momentos inesquecíveis. Um dos que mais o emocionaram envolveu uma ambulante durante uma cobertura para a rádio.

“Eu comecei a conversar com uma senhora ambulante. No primeiro dia puxei papo, no segundo continuamos. No terceiro, eu não apareci. Depois recebi o recado de que ela estava perguntando por mim. A gente ouve muitas histórias de vida. Ali você aprende a não reclamar da vida”, relembra.

Entre os momentos musicais marcantes, Edilson cita o surgimento da Timbalada e a força percussiva do Olodum. “Aquela batida do Olodum é coisa hollywoodiana. É da Bahia para o mundo.”

A convivência nos bastidores rendeu amizades que ultrapassaram o período momesco. Ele destaca a relação com artistas como Ninha da Timbalada, Márcio Victor do Psirico, Buck Jones, Sarajane e André Macedo, integrante da tradicional família de Dodô e Osmar.

“São vínculos que a gente cria e que ficam. Aprendi muito com essas pessoas. São seres humanos simples, acessíveis. Isso também marca”, pontua.

Ele também lembra com carinho do saudoso Germano Meneghel, do Olodum. “Todo ano eu passava dias no Pelourinho fazendo pesquisa e fiz uma amizade muito bonita com ele. Deixou saudade.”

Críticas à música atual

Como pesquisador de música, Edilson faz uma análise crítica sobre a qualidade das canções atuais do Carnaval. Segundo ele, houve perda de conteúdo nas letras.

“A música era cantada pelo povo. Hoje está muito no ‘empurrômetro’. Falta letra, falta mensagem. Quando você pega ‘Protesto do Olodum’, por exemplo, há conteúdo, fala de liberdade. Hoje, muitas músicas são só refrão chiclete”, avalia.

Ele afirma que a busca por eleger “a música do Carnaval” também perdeu força. “Cada emissora escolhe a sua. Perdeu-se o sentido. Em termos de qualidade, acho fraquíssimo. Para mim, quem está com uma música muito bacana é a Daniela Mercury.”

*Com informações de Ednalva Valença

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