O especialista explicou que os imóveis que mais se beneficiam do novo cenário são os de médio e alto padrão, especialmente voltados para a classe média.
Mesmo diante de um cenário de juros elevados em 2025 e início de 2026, o mercado imobiliário brasileiro mostrou força, resiliência e superou as expectativas. A avaliação é do especialista imobiliário Humberto Mascarenhas, da Nobel Imóveis, em entrevista ao programa Cidade em Pauta.
Segundo Humberto, apesar da taxa Selic ter alcançado 15% ao ano, o setor manteve alta demanda e números expressivos de financiamentos.
“Mesmo com dificuldade, o mercado imobiliário cresceu. Tivemos cerca de 1 milhão e 260 mil unidades financiadas pelo Sistema Financeiro de Habitação, o que mostra como o setor é forte e resiliente. O ano de 2025 foi muito melhor do que se esperava”, afirmou.
De acordo com o especialista, a recente redução das taxas de juros do crédito imobiliário já começa a ser percebida no mercado. Grandes bancos como Itaú, Bradesco e Santander já anunciaram cortes, e outros devem seguir o mesmo caminho.
“Isso se deve à projeção de queda da Selic. O Copom já sinalizou que, a partir de março, os juros começam a cair. Com isso, o crédito imobiliário é diretamente favorecido”, explicou.
Humberto destacou ainda a existência de uma demanda reprimida muito alta, formada por pessoas que aguardavam um cenário mais favorável para comprar o imóvel próprio.
“Esse público vai voltar com força assim que a taxa cair de maneira mais efetiva, impulsionando o mercado imobiliário em 2026”, pontuou.
Segundo o especialista, mesmo reduções aparentemente pequenas nas taxas já fazem diferença no financiamento, que é um crédito de longo prazo.
“Uma queda de meio ponto percentual ou até de 0,2% já impacta de forma significativa no valor total pago ao final do contrato. Isso já está sendo sentido e tem facilitado a vida de quem quer comprar a casa própria”, ressaltou.
Ele acrescenta que o momento também é favorável porque os preços dos imóveis ainda estão convidativos.
Para os próximos meses, a expectativa é positiva. Humberto destaca que a projeção do Banco Central é de encerramento de 2025 com a Selic em 12,25%, uma queda de 2,75 pontos percentuais.
“Se o financiamento acompanhar esse movimento, podemos terminar o ano com juros entre 8% e 9%, o que é extremamente atrativo e vai impulsionar muito o mercado imobiliário”, avaliou.
Sobre a dúvida comum dos consumidores — comprar agora ou esperar juros ainda menores — Humberto foi direto:
“Só vale a pena esperar se a parcela hoje comprometer demais a renda. Caso contrário, comprar agora é uma boa decisão, porque com a queda dos juros a tendência é de valorização dos imóveis”, alertou.
Segundo ele, a alta demanda reprimida pode elevar os preços nos próximos meses.
“Quem compra agora consegue barganhar melhor e garantir um preço mais atrativo”, completou.
O especialista explicou que os imóveis que mais se beneficiam do novo cenário são os de médio e alto padrão, especialmente voltados para a classe média.
“Essas famílias foram as que mais sofreram com os juros altos. Com a queda, a parcela pode ser até 10% a 15% menor até o fim do ano, o que faz muita diferença”, destacou.
Humberto fez um alerta importante para quem se enquadra no Minha Casa Minha Vida, programa que já conta com taxas de juros subsidiadas.
“O Minha Casa Minha Vida já tem juros a partir de 4% ao ano. Com a Selic a 15%, isso significa 11 pontos abaixo. Quem tem direito ao programa deve aproveitar agora”, enfatizou.
Ele alertou que, mesmo sem mudança nos juros do programa, os preços dos imóveis tendem a subir, o que pode dificultar o acesso futuramente.
Questionado sobre a instabilidade em outros mercados, como problemas bancários e a queda do bitcoin, Humberto afirmou que o cenário favorece o setor imobiliário.
“O imóvel é o investimento mais seguro que existe. As grandes fortunas do mundo são lastreadas em imóveis. Ele protege e blinda o patrimônio”, afirmou.
Segundo ele, muitos investidores estão migrando novamente para o mercado imobiliário.
“O imóvel não tem a volatilidade que vimos em outros ativos. Você investe com segurança e vê seu patrimônio crescer ao longo do tempo”, disse.
Para Humberto, o mercado imobiliário já entrou em um novo ciclo de crescimento.
“O mercado é cíclico: baixa, recuperação e crescimento. Já passamos pela baixa e pela recuperação. Agora, com a queda dos juros, entramos no ciclo de crescimento, que é a melhor fase”, avaliou.
Ele deixou um recado para investidores: “Não espere para investir em imóveis. Invista em imóveis e espere”, destacou.
Falando do cenário local, Humberto apontou os bairros SIM e Papagaio como os mais promissores para investimento em Feira de Santana.
“São bairros com procura altíssima por aluguel e pouca oferta de imóveis. Isso garante valorização e bom retorno”, explicou.
Ele citou ainda obras e projetos estruturantes, como duplicações viárias e a construção de um novo shopping, que devem impulsionar ainda mais a valorização dessas áreas.
“É por isso que uma boa assessoria é fundamental. Não é só investir, é investir no local certo, para maximizar ganhos e minimizar riscos”, concluiu.
