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Setor de bares e restaurantes reforça cuidados e tranquiliza consumidores após casos de intoxicação por metanol

Especialistas alertam sobre a importância de comprar bebidas de procedência confiável e de valorizar produtores certificados; em Feira de Santana, caso suspeito foi descartado.

Por Rafa
domingo, 26 de outubro de 2025

Nos últimos dias, as notícias sobre casos de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas ganharam destaque nacional e acenderam um alerta entre consumidores e comerciantes. Embora não haja registro confirmado na Bahia, e o caso suspeito em Feira de Santana tenha sido descartado, o tema provocou preocupação no setor de bares e restaurantes da cidade.

Durante o programa Jornal do Meio Dia, da Rádio Princesa FM, o presidente do Sindicato dos Bares e Restaurantes de Feira de Santana (Sindfeira), Getúlio Andrade, e a mixologista e empresária Heloísa Lima, proprietária da Tchim-Tchim Casa de Drinks, falaram sobre o impacto das notícias e as medidas que devem ser tomadas para garantir a segurança no consumo de bebidas alcoólicas.

Getúlio Andrade destacou que, nos primeiros dias após a divulgação dos casos em São Paulo, houve uma forte queda nas vendas de bebidas destiladas.

“No primeiro momento, o impacto foi muito grande. O assunto envolve saúde pública e a vida das pessoas, então a preocupação foi imediata. Nas duas primeiras semanas, as vendas caíram bastante, mas agora o setor começa a se estabilizar”, afirmou.

Ele ressaltou que o caso suspeito em Feira de Santana não se confirmou, o que ajudou a acalmar o público.

“Felizmente, o caso aqui foi descartado, o que trouxe um pouco de tranquilidade. Ainda há ocorrências em outros estados, mas esperamos que tudo seja resolvido logo, porque, além da questão da saúde, há também o impacto econômico, empresas e empregos ficam em risco.”

O presidente do Sindfeira reforçou a importância da atuação dos órgãos fiscalizadores e do papel dos consumidores na hora da compra.

“O Ministério da Agricultura, a Anvisa e os órgãos municipais têm responsabilidade sobre a fiscalização. Mas a sociedade também precisa estar atenta. O consumidor deve priorizar casas que têm compromisso com a qualidade e com a procedência dos produtos”, pontuou.

A especialista em mixologia Heloísa Lima explicou que é possível identificar se uma bebida é original por meio de sinais visuais e do selo de procedência.

“Toda bebida alcoólica deve ter o selo fiscal, feito em papel moeda e emitido pela Casa da Moeda. Esse selo tem número de série e não pode ser falsificado com papel comum. O rótulo também precisa estar bem colado e sem erros de ortografia, isso não acontece em bebidas originais.”

Ela também orientou que os bares devem adquirir produtos apenas de fornecedores certificados e que armazenem as bebidas de forma adequada, protegidas do sol e, em alguns casos, sob refrigeração.

“O cliente tem direito de pedir para ver a garrafa. Os bares e restaurantes podem e devem mostrar o produto, até para reforçar a transparência. Existe inclusive uma cartilha da ABRABE (Associação Brasileira de Bebidas) com orientações para identificar falsificações”, lembrou.

Heloísa destacou ainda que crises como essa afetam de forma significativa os pequenos empreendedores e produtores da agricultura familiar.

“As cooperativas e pequenos produtores sofrem mais, porque têm menos capital para se recuperar. Mas é importante destacar que muitos deles são altamente fiscalizados e certificados, às vezes até mais que grandes marcas. Trabalhamos com produtos de origem orgânica e artesanal, com todo o cuidado e controle de qualidade.”

Segundo ela, valorizar esses produtores também é uma forma de garantir segurança e fortalecer a economia local.

“O consumidor pode preferir casas que trabalham com cooperativas e agricultura familiar. São produtos de excelente qualidade, produzidos em pequena escala, sem uso de químicos, e com procedência garantida.”

Os convidados reforçaram a importância de combater a desinformação e de promover o consumo responsável.

“É fundamental separar o joio do trigo, valorizar quem trabalha corretamente e reforçar o papel da informação segura”, destacou Getúlio Andrade.

Heloísa complementou com uma mensagem ao público: “O cliente pode e deve consumir com tranquilidade. Basta estar atento à procedência e confiar em estabelecimentos comprometidos. Brindar é um prazer, e ninguém merece fazer isso com medo.”

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