12/05/2026
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Simpósio Aves Nordeste debate tecnologia, mercado e desafios da avicultura em Feira de Santana

O evento reúne produtores, especialistas e estudantes para discutir inovação, sustentabilidade e cenário econômico do setor avícola

Por Victória Silva
terça-feira, 12 de maio de 2026 às 15:54
Um auditório cheio em um evento. Há alguém palestrando
Foto: Isabel Bomfim

Feira de Santana recebe nesta terça-feira (12) o primeiro Simpósio Aves Nordeste, evento promovido pela Associação Baiana de Avicultura (ABA), que reúne especialistas, produtores, empresários, estudantes e representantes do poder público para discutir os principais desafios e oportunidades da cadeia avícola. A programação ocorre no Centro de Excelência em Zootecnia, no Parque de Exposições, com palestras voltadas para mercado, tecnologia, biosseguridade e eficiência produtiva.

O evento também marca as comemorações pelos 50 anos da Associação Baiana de Avicultura, entidade responsável pela organização do simpósio.

Foto: Isabel Bomfim

Um dos destaques da programação é a palestra do gerente global de inteligência de mercado, Adolfo Fontes, que abordou as tendências do mercado internacional de proteínas animais e grãos, além dos reflexos das tensões geopolíticas sobre a produção.

Foto: Isabel Bomfim

Segundo ele, o cenário exige atenção redobrada dos produtores diante das oscilações econômicas mundiais.

“Vamos falar um pouco sobre as tendências de mercado, trazendo um panorama global para o mercado de proteínas animais e de grãos, analisando os fundamentos do que podemos esperar nos próximos meses, mas entendendo também que o momento de volatilidade, por conta de questões geopolíticas, impacta o mercado de maneira bastante acentuada”, explicou.

Adolfo destacou ainda o peso dos grãos no custo da produção avícola.

“Se a gente pegar, os grãos correspondem entre 60% e 70% do custo da produção de frango. Então, entender os impactos do cenário internacional é fundamental”, afirmou.

Ele ressaltou que ferramentas como o mercado futuro podem ajudar os produtores a reduzir riscos.

“Hoje você pode acessar a bolsa de Chicago ou a B3 para compra e venda futura de soja e milho, aproveitando momentos favoráveis e garantindo melhores margens para a operação”, pontuou.

Representando o governador, o secretário da Agricultura da Bahia, Vivaldo Góes, destacou a relevância do simpósio para o fortalecimento da cadeia produtiva no estado.

Foto: Isabel Bomfim

“O primeiro Simpósio Aves Nordeste é um evento de muita importância para o setor produtivo da Bahia e do Nordeste. A ABA completa cinquenta anos de existência, fruto de um trabalho de dedicação e aprimoramento”, afirmou.

O secretário ressaltou a posição da Bahia no cenário nacional da avicultura.

“A avicultura baiana hoje está em nono lugar no ranking nacional. Isso é motivo de orgulho e demonstra a capacidade técnica e produtiva dos nossos produtores”, disse.

Vivaldo também reforçou o papel do Estado no acompanhamento sanitário e no incentivo ao setor.

“Nós temos hoje uma barreira sanitária que é exemplo para o país. Conseguimos agir rapidamente em situações como a doença das aves registrada no extremo sul da Bahia no ano passado, graças a medidas sérias e acompanhamento técnico”, destacou.

O coordenador do simpósio, Valmiro Aragão, afirmou que o principal objetivo do encontro é promover atualização técnica e troca de experiências.

Foto: Isabel Bomfim

“Esse evento tem a grande importância de trazer novos conhecimentos e revisar pontos importantes da avicultura. A Bahia figura como um dos principais estados produtores do Nordeste e precisamos buscar mais produtividade, sustentabilidade e eficiência”, explicou.

Segundo ele, a escolha de Feira de Santana ocorreu pela estrutura da cidade e proximidade com Conceição da Feira, considerada o principal polo avícola baiano.

“Feira de Santana é um polo, tem rede hoteleira, restaurantes e boa receptividade. Além disso, estamos próximos do polo avícola da Bahia”, afirmou.

Valmiro detalhou a programação do simpósio, dividida por áreas temáticas.

“Hoje à tarde falamos sobre mercado, projeções e gestão. Amanhã teremos temas como sanidade, biosseguridade, inteligência artificial, captação de recursos e manejo específico para frango de corte e postura”, disse.

A expectativa da organização é reunir cerca de 300 participantes de diferentes regiões da Bahia.

“Tem gente do norte, sul, extremo sul, oeste e chapada. Conseguimos agregar representantes da Bahia toda”, destacou.

Presidente da Associação Baiana de Avicultura, Kesley Jordana destacou os avanços do setor ao longo das últimas décadas e atribuiu os resultados aos investimentos tecnológicos.

Foto: Isabel Bomfim

“A tecnologia tem sido uma das grandes responsáveis pelos avanços. Quando comecei na avicultura, um frango levava em média sessenta dias para ficar pronto. Hoje conseguimos esse resultado em quarenta e dois a quarenta e cinco dias”, afirmou.

Ela rebateu mitos relacionados à produção.

“Muitas pessoas falam em hormônio, mas não é isso. É tecnologia, eficiência, dedicação e trabalho”, ressaltou.

Kesley também destacou a importância do simpósio para pequenos produtores.

“Existem produtores iniciando no setor e muitas vezes sem orientação. Aqui eles encontram informação para continuar avançando”, disse.

Sobre os desafios da modernização, ela defendeu maior aproximação dos produtores com a associação.

“Um primeiro passo é procurar a ABA e se tornar associado. Temos parceiros, fornecedores e tecnologia para orientar tanto pequenos quanto grandes produtores”, concluiu.

Conforme o cronograma oficial, o primeiro dia do simpósio é voltado aos temas de mercado, gestão e tecnologia, incluindo palestras sobre inteligência de dados aplicada à avicultura, tendências do mercado de grãos e uso de dados na tomada de decisão das granjas. O evento segue com painéis técnicos e debates ao longo da quarta-feira (13).

*Com informações da repórter Isabel Bomfim

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