O processo de declínio hormonal pode começar por volta dos 35 a 40 anos, inicialmente com a queda da progesterona.
Durante participação no quadro Mulheres em Pauta a ginecologista Dra. Cláudia Souza chamou a atenção para os impactos silenciosos da menopausa, que vão muito além das conhecidas ondas de calor. Segundo a especialista, alterações hormonais começam antes mesmo da última menstruação e podem comprometer profundamente a saúde física, emocional e social da mulher.
Antes de detalhar os sintomas, Dra. Cláudia explicou os conceitos. O climatério é a fase de transição da vida reprodutiva até o período em que a mulher deixa de ovular. Já a menopausa é confirmada quando a mulher fica 12 meses consecutivos sem menstruar.
“O climatério é um período de transição da vida reprodutiva até a fase em que a mulher não pode mais gestar. A menopausa é quando ela deixa de produzir hormônios e para de menstruar por um ano”, explicou.
Segundo a ginecologista, o processo de declínio hormonal pode começar por volta dos 35 a 40 anos, inicialmente com a queda da progesterona.
“Nós já nascemos com a nossa reserva ovariana. Ao longo da vida vamos consumindo esses folículos, produzindo hormônios, até que essa produção entra em declínio”, detalhou.
Embora os fogachos — ondas intensas de calor — sejam os sintomas mais lembrados, a médica reforça que nem todas as mulheres os apresentam e que os impactos vão muito além disso.
“Menopausa não se resume aos fogachos. Ela envolve declínio hormonal que afeta o cérebro, o sono, o metabolismo e até as emoções”, afirmou.
Entre os primeiros sinais está a irregularidade menstrual, muitas vezes confundida com TPM. “A paciente chega dizendo: ‘doutora, meu ciclo está irregular, estou menstruando a cada 15 ou 21 dias’. Essa ansiedade, irritabilidade e dor de cabeça já podem indicar insuficiência de progesterona”, explicou.
Com a evolução do quadro, podem surgir falhas menstruais, ficando dois meses ou mais sem menstruar.
A especialista destacou que o climatério pode ser considerado uma endocrinopatia, com reconhecimento no Código Internacional de Doenças (CID). E os efeitos podem atingir diferentes áreas da saúde.
“É uma mulher que acorda cansada, não dorme direito, briga por qualquer coisa, chora sem motivo. Isso compromete a qualidade de vida dela e da família. Esse casamento pode ficar comprometido”, alertou.
Segundo Dra. Cláudia, muitas mulheres procuram primeiro psiquiatras por depressão, ortopedistas por osteopenia, cardiologistas por palpitações, ou até dentistas por perda de massa óssea na mandíbula, sem que a raiz hormonal seja investigada.
Entre os sintomas que levam a mulher diretamente ao consultório ginecológico estão:
“Estrogênio influencia diretamente na saúde da mucosa vaginal. Com a queda hormonal, há diminuição da irrigação sanguínea e das defesas naturais, favorecendo infecções”, explicou.
Além disso, a médica destacou a perda de colágeno e massa muscular, fatores que contribuem para alterações estéticas e funcionais.
Alterações cognitivas e emocionais também são comuns. “A perda de memória, foco e cognição é muito relatada. O número de pacientes com ansiedade e depressão é gigantesco”, ressaltou.
No aspecto metabólico, a menopausa pode desencadear resistência à insulina, favorecendo ganho de peso mesmo com dieta e atividade física.
“Ela pode engordar mesmo comendo igual. Isso tem a ver com distúrbio metabólico relacionado ao declínio hormonal”, afirmou.
Respondendo à pergunta de um ouvinte sobre a duração das ondas de calor, Dra. Cláudia explicou que entre 70% e 80% das mulheres terão fogachos.
“São verdadeiras ondas de calor, acompanhadas de suor, vermelhidão e até palpitação. Às vezes acordam a mulher na madrugada com sensação de que vai morrer”, descreveu.
E foi enfática quanto ao tratamento: “Primeiro, tem que tratar. E quem tem hipotireoidismo toma remédio a vida inteira. Por que quem está na menopausa não pode usar hormônio a vida inteira, quando indicado?”.
Segundo a ginecologista, a terapia hormonal, quando bem indicada, é segura e pode proteger o coração, o cérebro e os ossos. Para mulheres com contraindicação, existem alternativas como fitoterápicos, alimentação equilibrada, atividade física e meditação.
“Quem trata deficiência hormonal é hormônio. Quem protege massa óssea é hormônio. Quem melhora sintomas genitais é hormônio”, pontuou.
A médica orientou que mulheres que estejam vivendo esses sintomas busquem acompanhamento especializado.
“Procurem um médico que trabalhe com terapia hormonal e que seja especializado no tratamento de mulheres climatéricas. O tratamento traz bem-estar, proteção e melhora da qualidade de vida”, concluiu.