08/10/2026
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Sobrevivente do 11 de Setembro relata momentos de terror e consequências da tragédia

Greg Gomes estava trabalhando no local quando as Torres Gêmeas foram atingidas e, nos dias seguintes, atuou nos escombros em busca de vítimas

Victória SilvaRedação: Victória Silva
Jorge Biancchi Reportagem: Jorge Biancchi
sexta-feira, 11 de setembro de 2026 às 15:12
Imagem de Sobrevivente do 11 de Setembro relata momentos de terror e consequências da tragédia
Foto: Jorge Biancchi

Há 25 anos, os atentados de 11 de setembro de 2001 mudaram profundamente a política internacional e a forma como o mundo passou a tratar questões relacionadas à segurança e ao terrorismo. Naquele dia, quatro aviões comerciais foram sequestrados por integrantes da Al-Qaeda. Dois deles atingiram as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York; outro atingiu o Pentágono, nos arredores de Washington; e o quarto caiu na Pensilvânia após passageiros e tripulantes tentarem retomar o controle da aeronave.

Direto de Miami, Jorge Biancchi conversou com Greg Gomes, sobrevivente dos ataques. Ele estava trabalhando no local quando os atentados aconteceram e acompanhou de perto o cenário de destruição provocado pela queda das torres.

Greg relembra que estava nas proximidades do local quando percebeu a gravidade do que estava acontecendo. Segundo ele, enquanto muitas pessoas tentavam fugir, ele decidiu permanecer para ajudar.

“Eu estava lá embaixo. Quando olhei, vi pessoas que estavam na torre pulando do prédio. O incêndio era muito intenso. Eu tentei ajudar. A primeira torre caiu e havia muita fumaça, uma grande nuvem de fumaça. Todo mundo estava correndo para longe, enquanto eu tentava ajudar.”

O sobrevivente afirma que as imagens daquele dia permanecem vivas na memória mesmo depois de 25 anos.

“Eu sempre vou me lembrar daquele momento, para sempre.”

Depois dos atentados, Greg continuou trabalhando para a cidade de Nova York e participou das operações realizadas na região atingida. Ele conta que permaneceu por dias e meses na chamada zona de exposição, ajudando nas buscas por pessoas entre os escombros.

“Depois disso, eu estava trabalhando para a cidade e continuei trabalhando nos dias e meses seguintes na chamada zona de exposição, no local onde as torres haviam caído, ajudando a encontrar pessoas.”

A exposição à poeira e às substâncias tóxicas liberadas pelo incêndio trouxe consequências para a saúde do sobrevivente. Greg afirma que, semanas depois, o ambiente ainda estava tomado por fumaça e poeira e que posteriormente desenvolveu câncer.

“Semanas e semanas depois, ainda havia poeira e fumaça. Acabei desenvolvendo câncer por respirar todas as toxinas provenientes das torres e de tudo aquilo que estava queimando, enquanto eu tentava ajudar a encontrar pessoas nos escombros, tentando salvá-las e resgatá-las.”

Apesar das consequências, Greg afirma que não hesitaria em ajudar novamente caso vivenciasse uma situação semelhante.

“Foi um dia muito triste. Mas, se acontecesse novamente, eu faria tudo outra vez. Eu iria até lá e ajudaria.”

Para Greg, os ataques também provocaram mudanças significativas nos procedimentos de segurança nos Estados Unidos. Ele destaca o aumento do rigor em aeroportos, prédios públicos e grandes edifícios, além de uma postura mais rígida do governo no combate ao terrorismo.

“Em relação à segurança, hoje, obviamente, nos aeroportos, nos prédios do governo e em grandes edifícios, existe uma segurança muito mais rigorosa.”

Apesar dos avanços, ele avalia que não existe uma garantia absoluta de que um novo ataque não possa acontecer.

“Politicamente, sim, eles estão mais rígidos com relação aos terroristas. Mas isso pode acontecer a qualquer momento. Não existe garantia de que não acontecerá novamente.”

Segundo Greg, os Estados Unidos aprimoraram os mecanismos de segurança desde 2001, mas a possibilidade de novos ataques ainda precisa ser considerada.

“Os Estados Unidos melhoraram a segurança e passaram a ser mais rigorosos no combate ao terrorismo, mas, infelizmente, isso pode acontecer a qualquer momento.”

Antes de sua trajetória atual, Greg Gomes ocupou um cargo de destaque no governo de Nova York. Ele trabalhou no Departamento de Serviços Sociais da cidade e exerceu a função de vice-comissário, atuando em áreas relacionadas à assistência à população.

Ele explica que o trabalho envolvia o atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade, incluindo aquelas que não tinham moradia e precisavam de assistência médica.

“O nosso trabalho era ajudar pessoas em Nova York que não tinham moradia e que precisavam de assistência médica. Eu era vice-comissário responsável por toda essa área.”

Atualmente, Greg vive em Miami e é casado com a empresária feirense Bárbara Brandão, que mora há 25 anos nos Estados Unidos. O casal também mantém uma atuação voltada ao apoio a outros sobreviventes dos atentados e às pessoas que ainda convivem com as consequências da tragédia.

“A gente vem lutando. Muitas pessoas que estavam naquele local foram expostas àquele químico e estão lutando contra o câncer. Hoje meu marido é um deles, que ainda continua lutando. Hoje ele está com leucemia e às vezes fica muito doente e a gente está aqui ainda lutando. Mas, com a fé em Deus, ele está vivo e eu vou continuar sempre ao lado dele para ajudar.” Conta Bárbara.

A relação entre Bárbara e Greg começou justamente em um hospital, em Nova York. Na época, ela trabalhava na unidade e conheceu Greg enquanto ele acompanhava a mãe, que enfrentava um câncer.

“Eu estava trabalhando no hospital e ele estava cuidando da mãe dele com câncer. Eu conheci ele dentro do hospital. Eu fui lá ajudar. Eu vi ele cuidando da mãe dele, lutando contra o câncer, e meu coração doeu muito. Eu fui lá ajudar eles. Ele não tinha ninguém ao lado dele e eu estava lá. Fiquei e estou até hoje ao lado dele, cuidando e amando para sempre.”

A história de Greg se soma aos milhares de relatos de pessoas diretamente afetadas pelo 11 de Setembro. Vinte e cinco anos depois, as marcas daquele dia permanecem não apenas na política e nos protocolos de segurança, mas também na vida dos sobreviventes que enfrentaram as consequências físicas e emocionais da tragédia.

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