13/04/2026
...
De Olho na Cidade
InícioPolícia
Polícia5 min de leitura

Sonegação de ICMS pode ultrapassar R$ 4 milhões, aponta Operação Primus II

Nesta nova etapa, o foco das apurações está nos crimes contra a ordem tributária, especialmente a sonegação de ICMS,

Por Rafa
quarta-feira, 17 de dezembro de 2025
oto: Isabel Bomfim
Foto: oto: Isabel Bomfim

A segunda fase da Operação Primus II foi deflagrada nesta quarta-feira (17) como desdobramento da investigação que desarticulou uma organização criminosa envolvida na adulteração e comercialização ilegal de combustíveis na Bahia. Nesta nova etapa, o foco das apurações está nos crimes contra a ordem tributária, especialmente a sonegação de ICMS, praticados pelo mesmo grupo empresarial já investigado na fase inicial da operação.

Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, sendo quatro em Feira de Santana e um em Conceição do Jacuípe, além do bloqueio judicial de bens pertencentes a pessoas físicas e jurídicas ligadas aos investigados.

Segundo o promotor de Justiça Cláudio Jenner, a investigação revelou um esquema estruturado de fraude fiscal, com a criação de empresas fictícias e uso de “laranjas” para ocultar os verdadeiros responsáveis.

“A esfera tributária infelizmente é um campo bastante fértil para organizações criminosas. Essas pessoas criam empresas fictícias, interpondo terceiros sem capacidade financeira, os chamados laranjas, para não pagar o tributo devido. A investigação identificou quem são os reais autores”, afirmou.

De acordo com o Ministério Público, o débito fiscal inicialmente apurado chega a R$ 4 milhões, valor que pode ser ampliado com o avanço das investigações da Secretaria da Fazenda.

“Hoje foi feita uma operação com esse débito fiscal de quatro milhões de reais, mas há outros valores a serem apurados. Por isso, já foi implementada medida cautelar de sequestro e bloqueio de bens para garantir, minimamente, a recuperação do valor devido ao erário”, explicou o promotor.

As apreensões realizadas nesta fase têm ligação direta com empresas já investigadas anteriormente, incluindo postos de combustíveis e distribuidoras, que atuavam de forma irregular.

“Tem relação com as empresas pertencentes às pessoas investigadas na primeira fase. Na Operação Primus, o foco foi o crime contra a ordem econômica, como adulteração de combustíveis, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Agora, identificamos também crimes contra a ordem tributária”, destacou Cláudio Jenner.

O promotor ressaltou ainda que a recuperação definitiva dos valores sonegados depende do devido processo legal.

“Neste momento, o que existe são medidas cautelares. O bloqueio de bens garante que, ao final do processo, com eventual sentença condenatória, haja a restituição do valor devido ao Estado”, explicou.

O promotor Alex Neves explicou que a Operação Primus II visa apurar a atuação de pessoas que teriam sido utilizadas como "testas de ferro" no esquema de sonegação.

“A operação de hoje busca investigar a participação de cinco pessoas físicas que teriam sido utilizadas como laranjas na prática de sonegação fiscal, por meio da interposição fictícia no quadro societário das empresas”, afirmou.

Além das buscas, a Justiça autorizou o bloqueio de bens de pessoas físicas e de três empresas diretamente ligadas aos investigados.

Segundo Alex Neves, o valor já identificado pode aumentar.

“Quatro milhões é o valor inicialmente apurado, mas esse montante pode ser muito superior. A adulteração de combustíveis implica, necessariamente, na sonegação de tributos, além de causar prejuízos aos consumidores e concorrência desleal”, pontuou.

oto: Isabel Bomfim

A delegada Haline Peixinho, do Drac, destacou que a investigação segue em andamento, com análise detalhada dos materiais apreendidos.

“As prisões da primeira fase não encerraram a investigação. A análise dos equipamentos e documentos apreendidos fortaleceu a adoção de novas medidas cautelares”, disse.

Questionada sobre prisões nesta fase, a delegada explicou que, até o momento, não houve novas detenções.

“A investigação ainda está em andamento. As medidas foram cumpridas e os resultados serão avaliados no decorrer do processo”, afirmou.

Ela também confirmou que o esquema utilizava empresas de fachada e múltiplos CNPJs para lavar dinheiro.

“O dinheiro era movimentado por meio de empresas de fachada, contas diversas e todos os mecanismos disponíveis para ocultação e dissimulação de valores”, explicou.

O diretor do Draco, delegado Fábio Lordelo, ressaltou a complexidade da organização criminosa e a necessidade de atuação integrada entre os órgãos.

“Uma organização dessa envergadura atua em vários ramos. É preciso um planejamento investigativo contínuo para revelar caminhos que estavam obscuros e promover uma repressão qualificada”, afirmou.

Segundo ele, a lavagem de dinheiro ocorria por diferentes meios.

“Transferências bancárias, investimentos, fundos. Toda atividade econômica pode ser usada para dar aparência de licitude a recursos ilícitos”, explicou.

O delegado confirmou que as investigações continuam concentradas no setor de combustíveis e não descartou novas fases da operação.

“Estamos aprofundando as investigações. É muito material para análise e isso pode resultar em outras fases da Operação Primus. Todos que estiverem envolvidos serão investigados”, concluiu.

A Operação Primus II é conduzida de forma integrada pela Polícia Civil da Bahia, por meio do Draco, pelo Ministério Público da Bahia e pela Secretaria da Fazenda.

*Com informações da repórter Isabel Bomfim

Leia também:

Operação Primus II cumpre mandados de busca e apreensão em Feira de Santana e Conceição do Jacuípe

Nova fase da Operação Primus II resulta na apreensão de celulares e material eletrônico em Feira de Santana e Conceição do Jacuípe

Compartilhar:

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nosso Termos de Uso.